28 dezembro 2007

Vida Nova num Novo Ano


É costume dizer-se nesta época do ano: ano novo, vida nova.
É costume também, formularem-se votos de saúde, prosperidade, felicidade, enfim, votos de que tudo corra pelo melhor sem problemas de qualquer espécie.
Pensava em tudo isto quando me preparava para formular esses mesmos votos a todos aqueles que visitam este espaço, e me perguntei: E tu o que desejas neste novo ano que vai começar?
Claro que a minha primeira resposta tinha tudo a ver com os votos acima expressos, ou seja, saúde, prosperidade, felicidade, ausência de problemas, de contrariedades, etc.
Depois pensei melhor e reflectindo cheguei à conclusão que ter tudo isso numa óptica de vida no mundo, (e que é impossível de concretizar), é muito redutor, porque se esgota nesta vida mortal, não se projecta para a vida eterna a que eu acredito somos chamados.
Assim formulei então para mim os meus votos para o novo ano!
Que cada vez mais procure e me seja concedida a graça de uma relação mais intima, pessoal e profunda com Jesus Cristo, Senhor e Salvador.
Que cada vez mais me deixe conduzir, renovar, inspirar, iluminar, pelo Espírito Santo, Senhor que dá a vida.
Que cada vez mais me deixe envolver no amor do Pai, Senhor Todo Poderoso, Criador de todas as coisas.
Percebi então que estes são os melhores votos para o novo ano que se avizinha, porque se assim for, sempre estarei acompanhado pela Eternidade do Amor, na saúde e na doença, na prosperidade e na míngua, na alegria e na tristeza, na harmonia e na contrariedade e tudo será vivido na graça do dom da vida que o Senhor me concedeu.
Nada mais posso e quero para mim neste novo ano que vai começar!
Como quero para a Comunidade Luz e Vida e para mim sempre o melhor, também o desejo a todos os outros, amigas e amigos que aqui nos visitam, (os que comentam e os silenciosos), na certeza de que, na concretização destes votos só pode acontecer para cada um de vós um Novo Ano cheio de Vida Nova.

24 dezembro 2007

Boas Festas


Um


SANTO NATAL


para todos


na paz e no amor de


JESUS CRISTO

SENHOR E SALVADOR

14 dezembro 2007

Os "defeitos" de Deus

Neste momento e depois de lerem este titulo, aqueles que nos visitam e conhecem o que escrevemos, devem estar a pensar:
O que é que lhes deu? Será que enlouqueceram?
Mas não, fiquem descansados, que estamos no nosso perfeito juízo, achamos nós!
Realmente depois de muito pensarmos e meditarmos, descobrimos pelo menos três “defeitos” em Deus que vos queremos dar a conhecer.

1º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não amar!
Por muito que tente, que Se esforce, que coloque todas as Suas forças nesse desiderato, Deus não consegue deixar de amar.
É-Lhe impossível!
Ele é todo amor e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não amar.

Já nós temos essa capacidade e sem fazermos esforço nenhum.
É aliás das coisas mais fáceis que fazemos nas nossas vidas: não amar!
Basta que não nos interesse, e com toda a facilidade conseguimos não amar.
Nós somos perfeitamente capazes de não amar!

2º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não perdoar!
Pronto é assim, não há nada a fazer, não consegue não perdoar!
Está ali à porta, e mal vê um que se aproxima para pedir perdão, não aguenta, larga a correr para ele, abraça-o, dá-lhe as melhores roupas e faz uma festa!
Ele é todo perdão e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não perdoar!

Já para nós isso é uma coisa do dia a dia!
Não nos custa nada e fazemo-lo com a maior das facilidades.
E afinal é fácil, estamos ali à porta, e quando vemos alguém que nos vem pedir perdão é muito simples: Fechamos a porta!
Que aliás para nós, a maior parte das vezes, isso de perdoar é uma “fraqueza”!
Nós somos perfeitamente capazes de não perdoar!

3º “Defeito” de Deus

Deus é incapaz de não ser fiel!
Já Paulo o afirmava, sem margem para dúvidas:
«Se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.» 2 Tm 2, 13
Ele é assim, mesmo que nós O afastemos, Lhe voltemos a cara, O insultemos, Ele fica ali, junto de nós, sem nunca nos abandonar, sempre pronto para nos ajudar quando for preciso, o que, convenhamos, é em todos os momentos das nossas vidas.
Ele é todo fidelidade e não consegue descobrir em Si nada que possa modificar isso: Deus não consegue não ser fiel!

Já connosco é muito fácil!
Basta por vezes oferecerem-nos qualquer coisa que nos agrade, para com toda a facilidade rompermos os compromissos.
Basta que alguém ou algo nos agrade mais, e rapidamente pomos de lado quem ou aquilo que era objecto da nossa fidelidade.
Basta que não nos concedam aquilo que queremos, (tenhamos razão ou não), para nesse mesmo momento voltarmos costas e irmos procurar noutro lado aquilo que desejamos.
Nós somos perfeitamente capazes de não ser fiéis!

15 outubro 2007

Ordenação Sacerdotal

O Marcelo sendo instituido Acólito na
igreja de Albergaria dos Doze


O Céu está em festa, a Igreja está em festa, a Diocese de Leiria-Fátima está em festa, a Comunidade Luz e Vida está em festa, todos nós crentes que vivemos a fé em Jesus Cristo, Senhor e Salvador, estamos em festa.

No dia 21 de Outubro, na Sé de Leiria, pela imposição das mãos do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, o Diácono Marcelo Cavalcante de Moraes, receberá o segundo grau do Sacramento da Ordem.

O Marcelo pertence à Comunidade Luz e Vida desde a primeira hora, sendo parte muito importante no discernimento e fundação da Comunidade.

Deixou o Brasil para vir para Portugal em missão, na altura com a Comunidade Canção Nova, e aqui permaneceu entre nós, fazendo-se um de nós, comungando connosco, e fazendo de Portugal o seu país de adopção.

Deixou-se conduzir pela Palavra do Senhor:

Ele disse-lhes: «Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos, por causa do Reino de Deus, que não receba muito mais no tempo presente e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.» Lc 18, 29-30

E assim tem em nós todos a sua casa, a sua familia, a sua comunidade.

Pedimos ao Senhor da Messe, que o escolheu e chamou, que abençoe o seu sacerdócio com todas as graças e bençãos necessárias à sua missão, onde for chamado a servir Deus, servindo os homens.

21 setembro 2007

Sacrários Vivos...


Os sacrários são normalmente peças de muita beleza exterior, mesmo aqueles que primam pela simplicidade.
No entanto o seu interior é, normalmente, apenas constituído por paredes nuas, sem qualquer decoração.
Assim poderemos dizer, que os sacrários são muito belos por fora, mas despidos de beleza por dentro.
No entanto tudo se transforma quando no sacrário está Jesus Cristo Sacramentado!
Podemos afirmar então, que a maior beleza do sacrário está no seu interior, e que já não interessa sequer aquilo que ele é por fora.
Aliás os sacrários têm um fim, que é conterem, guardarem dentro de si, Jesus Cristo Sacramentado.
E sabemos que eles estão a cumprir essa missão quando há uma luz, sempre acesa, que nos diz que ali está Jesus Cristo Sacramentado.
Se assim não for, a luz está apagada e os sacrários para nada servem, a não ser para decoração, para museus, e não nos suscitam mais nada, a não ser a apreciação da sua beleza, ou a falta dela.
Enfim não nos detemos neles, e nada acrescentam às nossas vidas!
Nós somos muitas vezes assim, como os sacrários!
Arranjamo-nos exteriormente, não só cuidando do aspecto do corpo e do que vestimos, mas também tantas vezes aparentando uma maneira de ser que nada tem a ver connosco, (com o que nós realmente somos), e no interior somos apenas paredes nuas, sem qualquer beleza, sem luz, porque não nos preocupamos em ser amor para nós e para os outros, porque em nós não mora Jesus Cristo, fonte do Amor.
Podemos conversar com quem quisermos, mas as nossas conversas são apenas palavras, não deixam rasto, nada acrescentam às vidas que por nós passam.
No entanto, quando nos abrimos a Ele, e deixamos que Ele faça em nós morada, o aspecto exterior conta pouco ou nada, porque a expressão que transmitimos é a beleza do amor, há uma luz acesa em nós, e as conversas que possamos ter, o testemunho de vida, deixa sempre uma impressão indelével, que leva muitas vezes os outros a deterem-se e pensarem nas suas próprias vidas.
Tal como os sacrários também nós temos um fim!
Esse fim é sermos sacrários vivos, ou seja, enquanto os sacrários na igreja “apenas” contêm Jesus Cristo Sacramentado, mas estão ali, estáticos, sem nada nos transmitirem de si próprios, nós poderemos ser sacrários vivos, ou seja, levarmos Jesus Cristo aos outros, transmitirmos tudo o que Ele faz em nós, dar testemunho da Sua presença viva em nós e no meio de nós.
Os sacrários na igreja podem “conter” Jesus Cristo Sacramentado, mas não mudam, são sempre do modo como foram feitos.
Nós se formos sacrários vivos vamos sendo moldados, aperfeiçoados, pela presença de Jesus Cristo em nós, e essa mudança reflecte-se em nós e de nós para os outros.
Enquanto nos sacrários na igreja, a luz indica a presença de Jesus Cristo Sacramentado no seu interior, em nós, quando somos sacrários vivos, a luz é o Próprio Jesus Cristo que brilha em nós!

Faz do teu coração um Sacrário vivo, onde more sempre Jesus Cristo!

05 setembro 2007

Beata Madre Teresa de Calcutá


«O seu trabalho piedoso com os pobres espalhou-se por todo o mundo e levou milhares de irmãs e voluntários a aderirem à congregação. O que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz - que recebeu em Oslo em Dezembro de 1979.
Na altura, no discurso que fez, afirmou: "Não é suficiente dizer 'Eu amo Deus', mas não o meu vizinho. [Ao morrer na cruz] Deus tornou-se o faminto, o nu e o sem abrigo. A fome de Jesus é aquilo que temos de encontrar e aliviar. Cristo está nos nossos corações, Cristo é o pobre que encontramos, o sorriso que damos e que recebemos".
Contudo, três meses antes, numa carta enviada ao padre Michael Van Der Peet, confessou: "Jesus tem um amor muito especial por si. [Mas] para mim - o silêncio e o vazio é tão grande - que olho e não vejo - Escuto e não ouço. A língua mexe-se [na oração] mas não fala...Quero que reze por mim".
O conteúdo desta e outras cartas formam o livro, lançado hoje nos EUA, da autoria do padre Brian Kolodiejchuk. A obra revela que a madre Teresa duvidou da existência de Deus durante 50 anos (e mesmo assim continuou ao seu serviço). Muitos desconheciam-no. Até agora.»
Diário de Noticias de 4 de Setembro


Entendi mal, ou este é mais um “brilhante” texto que nos quer levar a pensar, a acreditar, que a Beata Madre Teresa de Calcutá “duvidava” da existência de Deus!!!
É que é realmente espantoso como se retira de cartas como esta, essa certeza de que Madre Teresa “duvidava” da existência de Deus, quando para mim elas revelam uma fé inquebrantável, a fé daqueles que acreditam sem verem.
Só quem se entrega totalmente aos caminhos de Deus, pode saber o que é a aridez da oração, o deserto da solidão, a aspereza da falta de consolação…
E no entanto, a oração é constante, a certeza de que Ele está connosco é total, embora não O sintamos, não O vejamos, não O ouçamos…
E no entanto a consolação é consolar, porque é verdade que “mais vale consolar, do que ser consolado”…
Já li algumas obras sobre madre Teresa e sempre me impressionou essa força extraordinária de alguém que viveu o deserto, a aridez e nunca deixou de acreditar na presença de Deus nos outros, nunca deixou de acreditar que «o que fizeres aos mais pequeninos é a Mim que o fazes…»
E agora, (perante um livro que ainda não li), mas que, (escrito por quem se empenha na canonização de madre Teresa), só pode mostrar-nos essa incrível luta de fé de uma mulher, que não tendo experiências místicas profundas como outros Santos, querem fazer-nos pensar que madre Teresa “duvidava” da existência de Deus.
Teresa de Calcutá, perante o terrível deserto e aridez em que Deus a quis provar, (e ninguém é provado acima das suas forças), continuou a orar, a construir, acreditando sem margem para dúvidas que Ele, o Cristo amado, estava ali nos outros e com ela.
Quantas vezes eu me perguntei, quantas vezes cada um de nós que acredita, se perguntou, ou melhor Lhe perguntou: «Estás aí Senhor? Conheces-me? Amas-me? Posso contar conTigo?».
E mesmo assim, ou até por causa disso, ainda se entregou mais, ainda orou mais, ainda fez mais, porque a fé não é algo que se compra, que se venda, é um dom, uma graça que o Senhor coloca nos corações abertos para Si.
Diz-nos o Papa Bento XVI sobre madre Teresa: «Por um lado, temos de suportar este silêncio de Deus, em parte também para poder compreender nossos irmãos que não conhecem Deus.»
Realmente, muitas vezes os nossos irmãos afastados da fé não compreendem, como podemos nós acreditar em algo que não vemos, que não palpamos, e também nós por vezes não entendemos como não vêm eles aquilo que para nós é óbvio.
Assim neste “silêncio de Deus”, vivendo esta experiência, talvez possamos nós entender melhor e dar a conhecer melhor aos outros esta presença de Deus nas nossas vidas, este amor de Deus por cada um, seja ele qual for.
Um dos maiores Santos da Igreja, Pedro, fez mais que duvidar de Deus, negou a Deus e no entanto acabou por entregar a totalidade da sua vida pelo Deus que tinha negado!
“Não é preciso ver para acreditar, mas é preciso acreditar, para ver”, e isso que se passou com Tomé, e tantas vezes com cada um de nós, foi a vida de madre Teresa:
Porque acreditava, via, sentia Cristo nas suas irmãs e irmãos necessitados, por isso lhes entregava a sua vida, porque sabia que a estava a entregar ao Senhor, ao seu Deus de infinito Amor.
Tudo o mais são interpretações, mais ou menos “maldosas”, de quem não “vê, porque não acredita”.

24 agosto 2007

REFLEXÕES SOBRE A FAMILIA


João Paulo II

«A família é a primeira e fundamental comunidade humana».

«Deus quis que a união de amor entre marido e mulher fosse a origem de novas vidas».

«O vosso filho: carne da vossa carne e osso dos vossos ossos».

«Todos os membros da família devem sentir-se aceites e respeitados, porque se devem sentir amados».

«Fazei da vossa família um oásis de paz e de confiança, orai pela vossa família».

«A família vem de Deus. Ele abençoou o amor do homem e da mulher e tornou-o fonte de ajuda mútua».

«O lugar e a missão do pai na família são de uma importância insubstituível».

«Os esposos, pelo dom da vida a uma nova pessoa humana, tornam-se cooperadores de Deus».

«A família á a primeira e fundamental comunidade humana»

«A família, comunidade de pessoas, é, a primeira “sociedade” humana» - Carta às Famílias – 1994

«O homem torna-se imagem de Deus não tanto no momento da solidão quanto no momento da comunhão.» Catequese em 14.11.1979

«Os pais são os primeiros e principais educadores dos próprios filhos e têm neste campo competência fundamental: são educadores porque pais.» J P II - Carta às famílias – 94

«Um dos campos onde a família é insubstituível, é certamente o da educação religiosa, graças à qual a família cresce como “igreja doméstica”. A educação religiosa e a catequese dos filhos colocam a família no complexo da Igreja como verdadeiro sujeito de evangelização e de apostolado.» JP II – Carta às famílias – 94

«A oração familiar tem as suas características. É uma oração feita em comum, marido e mulher juntos, pais e filhos juntos. A comunhão de oração é, ao mesmo tempo, fruto e exigência daquela comunhão que é dada pelos sacramentos do baptismo e do matrimónio. Aos membros da família cristã podem aplicar-se de modo particular aquelas palavras com que Cristo promete a Sua presença: “Digo-vos ainda: se dois de vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos Céus, pois onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio deles.”» - Familiaris Consortio 59

«Elemento fundamental e insubstituível da educação para a oração é o exemplo concreto, o testemunho vivo dos pais: só rezando em conjunto com os filhos, o pai e a mãe, enquanto cumprem o próprio sacerdócio real, entram em profundidade no coração deles, deixando marcas que os acontecimentos futuros da vida não conseguirão fazer desaparecer. Lembremos o apelo que o Papa Paulo VI dirigiu aos pais: “Mães ensinais aos vossos filhos as orações do cristão? Em consonância com os Sacerdotes, preparais os vossos filhos para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão e crisma? Habituai-los, quando enfermos, a pensar em Cristo que sofre, a invocar o auxilio de Nossa Senhora e dos Santos? Rezais o terço em família? E vós, pais, sabeis rezar com os vossos filhos, com toda a comunidade doméstica, pelo menos algumas vezes? O vosso exemplo, na rectidão do pensamento e acção, acompanhada com algumas orações comuns, tem o velor de uma lição de vida, tem o valor de um acto de culto de mérito particular; levais assim paz às paredes domésticas: «Pax huic domui!». Recordai: deste modo construís a Igreja!”» - Familiaris Consortio 60

«Na medida em que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé, é que se torna comunidade evangelizadora. Escutemos de novo Paulo VI: “A família, como a Igreja, deve ser um lugar onde se transmite o Evangelho e donde o Evangelho irradia. Portanto no interior de uma família consciente dessa missão, todos os membros evangelizam e são evangelizados. Os pais não só comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem também receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. Uma tal família torna-se, então, evangelizadora de muitas famílias e do ambiente em que está inserida”». Familiaris Consortio 52


Bento XVI

«A família é o local privilegiado onde cada pessoa aprende a dar e a receber amor.» Bento XVI – Valência – 7.2.2006-11-24

«Na origem de qualquer homem está presente Deus Criador. Por isso os pais devem acolher a criança que nasce não apenas como seu filho, mas também de Deus, que o ama por si mesmo e o chama à filiação divina. Mais ainda: todas as gerações, toda a paternidade e maternidade, toda a família, têm o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.» Bento XVI – Valência

«Na origem de todo o ser humano, não existe acaso ou casualidade, mas sim um projecto do amor de Deus.» Bento XVI – Valência

«A linguagem da fé aprende-se nos lugares onde esta fé cresce e se fortalece através da oração e da prática cristã.» Bento XVI – Valência

«Transmitir a fé aos filhos, com a ajuda de outras pessoas e instituições como a paróquia, a escola ou as associações católicas, é uma responsabilidade que os pais não podem esquecer, descuidar ou delegar completamente.» Bento XVI – Valência

«Os avós dão aos mais pequenos a perspectiva do tempo, são memória e riqueza das famílias.» Bento XVI – Valência

07 agosto 2007

Oração em Línguas 10


"Não é provável que esta oração no futuro próximo tenha entrada nas grandes assembleias litúrgicas.
No final do Evangelho de São Marcos que apareceu somente em meados do séc. II, diz-se: “E acontecerão estes sinais aos que acreditarem: … falarão em outras línguas” (Mc 16,17).
Por isso cem anos após a morte de Jesus ainda era geralmente conhecido o sentido da oração em línguas e o texto dá a perceber a opinião de que este “sinal” da presença do Espírito Santo não só foi dado à primeira geração cristã, mas também é um fenómeno normal da missão cristã.
Hoje estamos de novo perante uma nova época da história da fé, e ainda não encontramos a linguagem para descrever esta novidade do Deus sempre novo.
O Senhor da história quer purificar a nossa linguagem, irromper a partir do interior, dar-nos palavras novas: Quando devolvermos as profundidades da nossa faculdade linguística ao Seu Mistério, então anunciaremos “com coragem o mistério do Evangelho” (Ef 6,19) de forma nova no nossa inteligível língua mãe.
Concluindo, importa salientar: O Carisma da oração em línguas tem – como qualquer outro Carisma – como pressuposto uma capacidade natural, a saber, a capacidade humana de falar.
A oração em línguas deve por isso, como qualquer Dom do Espírito Santo, ser examinada sobre a sua autenticidade.
A pronúncia da série ininteligível de vogais e consoantes é um fenómeno que é plenamente conhecido dos médicos em determinadas doenças ou também aparece em estados de embriaguês. Não é portanto carismática, mas tem origem puramente psicológica. "


"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mülhen


(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 6" )


Termina aqui esta série de textos sobre a Oração em Línguas, embora o tema esteja longe de estar esgotado. Voltaremos a ele.

02 agosto 2007

Oração em Línguas 9


"Espera Deus de ti que também peças este Dom?
Paulo diz aos Coríntios: “Eu desejo que todos faleis em línguas” (1 Cor 14,5) e agradece especialmente a Deus por ele mesmo falar em línguas (v. 18). Por isso ele exorta a que não se impeça o Dom de línguas (v. 39), mas acentua também que este Dom “dado” por Deus não é concedido a todos (1 Cor 12, 28.30).
Ele é dado à maioria das pessoas, quando elas estão dispostas a entregar também a Deus a sua própria língua.
Na nossa cultura moderna e racionalista há contudo que ultrapassar determinadas barreiras de medo, quando alguém pede o Dom de línguas: Nós fomos educados a observar-nos constantemente a nós mesmos, a apresentar obras intelectuais, a não nos abandonarmos precipitadamente e sem critica a algo que não conhecemos.
Mas, na oração em línguas, devemos primeiramente sair do barco ao qual estamos habituados e que nos dá protecção. Devemos procurar o impossível e caminhar sobre a água, apesar de considerarmos incrível que ela nos suporte.
Neste caso, vale também para nós a exclamação de Jesus “Tende confiança; sou Eu, não tenhais medo!” (Mt 14,27).
Pode ser que à primeira vez te excites muito, pois deves realmente atravessar um umbral, deves soltar-te totalmente a ti mesmo, apenas rezar, sem prestar atenção aos sons que produzes. Muitos têm medo, e por isso é uma ajuda quando aqueles que já receberam este Dom rezam em línguas juntamente contigo a primeira vez.
A muitos esta oração é dada sem nenhuma emoção interior, quando muito filial e “ingenuamente” se abandonam a Deus. Esta oração de per si não tem nada que ver com extâse e arrebatamento emocional".

"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mühlen

(A identificação do autor está em "Oração em Línguas" 6)

26 julho 2007

Oração em Línguas 8


"Se chamamos a Deus o Mistério Inefável, queremos dizer com isso que nenhum conteúdo da nossa inteligência pode abarcá-Lo e expressá-Lo.
Isto vale também para as palavras “Deus”, “Pai”, “Santo”, etc. A elas associamos determinadas ideias e conteúdos que foram tomados da nossa experiência humana.
Mas se o próprio Deus, o “Pai”, é inexperimentável, como diz a Bíblia desde o primeiro ao último livro, então o Seu Mistério só pode expressar-se em palavras que não foram tiradas da nossa experiência humana. Além disso, podemos proteger-nos muito bem contra Deus e falar sobre Ele na nossa língua-mãe e com muitas noções estudadas da nossa inteligência.
Pelo contrário, na oração em línguas falamos a Deus (1 Cor 14,2)
Por isso nela também não comunicamos alguma coisa aos outros homens, mas edificamo-nos a nós mesmos, apresentando-nos a nós mesmos diante de Deus (1 Cor 14,4).
Por esta razão, Paulo adverte que a oração em línguas passe para segundo plano na assembleia litúrgica.
Quando ninguém a pode “interpretar”, também ninguém deve falar assim perante a comunidade. Deve “fazê-la para si mesmo e perante Deus” (1 Cor 14,28). Por isso esta forma de oração permanece privada na medida em que é, em primeiro lugar, um enriquecimento da oração “privada”.
Mas o próprio fenómeno em si é uma profunda “desprivatização” perante Deus, pois nele eu não rezo “separado” de Deus a um “Ser Superior” anterior e por cima da criação, mas Deus, o Espírito Santo reza em mim através de Cristo a Deus, o Pai incompreensível e inexperimentável. Outra coisa é, sem dúvida, o “canto no Espírito Santo” (Ef 5,19 seg.; Cl 3,16 seg.) em comum: Alguém entoa uma melodia, todos se reúnem à sua volta, cantam-na em várias vozes, “como o Espírito Santo os inspira”, e então rezam em línguas.
Quando este Dom não é concedido, pode então juntar-se a estas melodias orações na língua materna (Aleluia, Jesus é o Senhor, etc).
Este “canto no Espírito Santo” na reunião de oração dá muitas vezes uma profundidade incalculável à adoração.
Não é por acaso que isso se desenvolve frequentemente na celebração da Eucaristia, após a narração da Instituição, a seguir a exclamação: “Mistério de Fé”.
A interpretação de uma oração em línguas numa assembleia é, segundo S. Paulo, um Dom especial do Espírito Santo (1 Cor 12,10). Quem interpreta uma oração em línguas procura acompanhá-la e, através de uma intuição espiritual, dar-lhe um conteúdo.
É evidente que aqui não se pode tratar de uma “tradução”, pois o que ora não associa à sua linguagem conteúdo nenhum. O Dom da interpretação e da exegese é sobretudo dado para que também os outros tenham um proveito da oração em línguas (1 Cor 14,17), permaneça a dimensão social da presença de Deus e também a inteligência não fique sem lucro (1 Cor 14,14). A interpretação é por isso mais um complemento que uma tradução!

“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen

(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 6")

20 julho 2007

Oração em Línguas 7


"Na nossa oração tradicional conhecemos graus que antecedem isso: No coral gregoriano há séries de tons longos, nos quais é cantada só a vogal “a” (como no final do Aleluia). A vogal “a” não tem “sentido” em si mesma, não contém uma comunicação, uma informação. Ela é um tal “cantar-se a si” diante de Deus, simplesmente a ponte linguística para Deus, e provém das camadas profundas da minha pessoa que não se entende pela pura razão.
Um fenômeno semelhante é sobretudo na Igreja Oriental a oração de Jesus. Na repetição muitas vezes de horas seguidas o orante diz a jaculatória: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”. Quando alguma vez se ouviu esta frase, conhece-se o conteúdo, mas nesta forma de oração não se trata em primeiro lugar do conteúdo, mas do processo de eu falar com Jesus e com Deus e assim experimentar em mim a Sua presença. Uma tal repetição constante é “sem sentido” para a “inteligência”.
O mesmo acontece na oração do Rosário. Durante a oração não se acompanha com o entendimento o conteúdo de cada palavra ou das frases pronunciadas. Não tem “sentido” pronunciar a mesma oração 50 vezes.
Na oração em línguas acrescenta-se a isso só uma coisa. As vogais e consoantes pronunciadas pertencem a uma língua que não conheço, que deste modo ainda ninguém pronunciou. Nela eu expresso-me diante de Deus, entrego-me a mim mesmo, também a minha língua, totalmente a Ele.
A doação de si mesmo a Deus na oração em línguas pode expressar agradecimento (1Cor 14,16 seg.), intercessão (Rm 8,27; Ef 6,18), proclamação das maravilhas de Deus (Act 2,11; 10, 46). Atinge a sua dimensão mais profunda na adoração de Deus por Ele mesmo.
Quando louvamos e glorificamos a Deus por causa da Sua Criação, podemos enumerar as muitas criaturas que Ele criou.
Mas se O louvamos e O glorificamos porque Ele é o Mistério imenso, incompreensível, inefável Cf 14,2), faltam-nos as palavras.
Nós só podemos exclamar “Nós Te louvamos, te bendizemos, Te adoramos” e então devíamos repetir continuamente estas jaculatórias ou começar a cantar as “propriedades” de Deus (Só Tu és Santo, só Tu o Senhor, só Tu o Altíssimo, etc).
Quando se trata de Deus, porque Ele é Deus, não sabemos realmente o que e como rezar. Então só podemos abandonar-nos à presença de Deus em nós: Ele mesmo vem em nossa ajuda “com gemidos inenarráveis” (Rm 8,26).
A palavra grega que neste lugar é traduzida por “gemido”, no contexto do Novo Tetstamento é um termo técnico para uma oração que não procede da inteligência mas do Espírito Santo.
Esta palavra encontra-se também em Mc 7,34 e 8,12. Por isso Marcos era provavelmente da opinião de que Jesus também tinha rezado desta forma."


“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen


(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 6").

18 julho 2007

Oração em Línguas 6


O Dom de Línguas é para muitos o primeiro passo para uma desprivatização perante Deus: “Quem reza em línguas, não fala aos homens mas a Deus; ninguém o entende: No Espírito Santo ele diz coisas misteriosas” (1Cor 14,2).
Deus é não só incompreensível, mas também inefável. Isto é expressamente doutrina e dogma da Igreja.
Não podemos abarcar e expressar os mistérios de Deus coma nossa linguagem humana comum. A oração em línguas é porém um expressar daquilo que permanece inefável por toda a eternidade!
Devemos por isso permitir a Deus que penetre na nossa mais profunda capacidade de falar, que expresse em nós o Seu Mistério.
Na oração em línguas abandonamo-nos a Deus até ao mais profundo do nosso ser humano.
A faculdade de falar é na verdade a sua expressão mais profunda (um animal jamais aprenderá uma língua humana).
Na palavra “eu” estou eu mesmo totalmente presente, com corpo e alma, inteligência, vontade e sentimento. Ninguém pode dizer “eu” em meu lugar, ninguém pode dizer “tu” em meu lugar.
A oração em línguas neste sentido é um dizer “Tu” a Deus, proveniente das profundidades da pessoa, sem que o que reza entenda o “sentido” (cf. 1 Cor 14,11).
Porque este expressar do inefável se tornou quase desconhecido, não se pode à distância fazer uma idéia dele, quando a gente ainda não o ouviu ou experimentou em si.
Esta oração está por isso exposta a muitos mal-entendidos. Ela não é – como dão a entender as traduções bíblicas – um falar “arrebatado” ou “extático”, mas um falar muito normal, num tom normal.
Paulo supõe que quem reza assim pode começar e terminar quando ele quer (1 Cor 14,27 “um depois do outro”).
Geralmente a oração em línguas ouve-se como uma emissão de noticias na rádio numa língua totalmente desconhecida para o ouvinte.
Trata-se de uma série de vogais e consoantes com uma melodia e ritmo linguístico determinado, com a única diferença de que esta linguagem é “sem sentido” para a inteligência e além disso, muito pessoal, dado que procede duma profunda atitude de adoração.

“Experiência Fundamental do Cristianismo” – Heribert Mühlen
WIKIPÉDIA Heribert Mühlen Heribert Mühlen (April 27 1927- May 25 2006) was a German Roman-Catholic theologian.
He was born in Mönchengladbach, studied in Bonn, Freiburg, Rome, Innsbruck, Münster und Munich, and was priest since 1955. Since 1962 Mühlen taught at the Divinity Faculty of the University Paderborn, where he later (1964-1997) worked as Ordinarius für Dogmatik und Dogmengeschichte (Professor of Dogmatics and Dogmatical History).
During the Second Vatican Council, Pope Paul VI appointed Mühlen as one of the theological experts (1964). His theological work is concentrated mostly on pneumatology, ecclesiology and pastoral theology. Mühlen also helped to introduce protestant charismatic ideas into the Roman-Catholic church.

16 julho 2007

Oração em Línguas 5


"Portanto, não há por que assombrar-se ao ver como uma prática que de nenhum modo é devida a outra tradição distinta da nossa, é revivida.
Uma vez adquirida tal liberdade de expressão dos sentimentos religiosos em si mesmos, pode-se e deve-se sentir verdadeira necessidade de compartilhá-los com outros homens; e achar-se-á normal e benfazejo que já se possa louvar, adorar, glorificar e amar a Deus segundo todos os modos de expressão dos quais dispomos – segundo todas as cordas da harpa - , expressão na qual o ‘falar em línguas’ entra como parte integrante para quem entendeu seu sentido.
Falar em línguas, concebido dessa forma, parece-me um enriquecimento espiritual; por isso, não duvidei em considera-lo como um dos frutos da graça.»


"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo J. Suenens

14 julho 2007

Oração em Línguas 4


"Reconheçamos que nos encontramos, em geral, tremendamente embaraçados quando se trata de exteriorizar os nossos sentimentos religiosos profundos, tanto a Deus como aos homens. Inclusive os próprios sacerdotes e religiosos sabem muito bem quanto lhes custa “entregar-se” em profundidade espiritual a seus irmãos com quem vivem lado a lado, mas superficialmente. Estamos petrificados por formalismos e ritualismos; adquirimos pouco a pouco uma expressão comunitária litúrgica, depois de muitos séculos de passividade.
Ainda não encontramos o calor conveniente para uma festa, para uma celebração fraternal; o degelo é conseguido pouco a pouco.
Ainda em nossos dias, o Papa tem de nos pôr em guarda diante da rotina da oração e diante do abuso de fórmulas feitas.
Descobrem-se neste momento alguns novos métodos em matéria de expressão corporal e de intercomunicação (...)
Os jovens marcham com toda a naturalidade nessa direcção.
O dom de ‘falar em línguas’, longe de ser considerado algo arcaico, poderia converter-se em elemento de renovação."
"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo J. Suenens

13 julho 2007

Oração em Línguas 3


“Karl Barth descreveu a glossolalia, (dom de falar em línguas), como um esforço para expressar o inexprimível.
São Paulo dirá por sua vez que o próprio Espírito Santo intercede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8,26); e Ele se une a tal oração misteriosa, não articulada, deixando ao próprio Deus o cuidado de glorifica-lo e lhe dar graças por um amor que ultrapassa todo o conhecimento (Ef 3,19).
Em linguagem psicológica dir-se-ia: eis aqui a voz do subconsciente que se eleva para Deus. Uma expressão, pois, do subconsciente, como também o são os sonhos. Tudo isso tem lugar nas profundezas do nosso ser: de onde procede um efeito de profunda cura reconhecido de vez em quando, cura de traumatismos o cultos que impedem o desenvolvimento da vida interior."


"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo J. Suenens

12 julho 2007

Oração em Línguas 2


“Se São Paulo o denomina e julga o menor dos dons – ainda que ele mesmo o exercitasse – não é, sem dúvida, porque venha a ser como um caminho de acesso para outros dons, como uma porta que se pode ultrapassar curvando-se um pouco. O carisma de falar em línguas é, pois, um acto de humildade e de espírito infantil que desemboca no Reino de Deus. «Se vos tornardes como crianças…» . Esta palavra de Jesus de significado bastante profundo é bem conhecida.
Esse dom tão pouco cerebral abre uma brecha no nosso sistema de reserva e de defesa, e ajuda a franquear uma espécie de espaço entendido como libertação e abandono de si ao Senhor; esse ceder entrega o corpo e a alma à obra do Espírito, quando nos prestamos a isso.
Por não ser mais que uma espécie de pontapé inicial, não deixa de ser menos precioso porque traduz, a seu modo, a liberdade interior dos filhos de Deus.”


"Um Novo Pentecostes" - Cardeal Leo Joseph Suenens

10 julho 2007

Oração em Línguas 1

Do livro de Jean Lafrance - «Quando orardes dizei: "Pai".»


"É quando já não tens palavras para rezar que é bom deixar rezar o Espírito no teu coração, com gemidos inefáveis. Tais gemidos são profundos demais, para se exprimirem em palavras. No mais íntimo do teu coração existe uma melodia secreta, um canto misterioso que quer libertar-se e que não pode, porque geme em dores de parto. Quando o ouvires, ficarás estupefacto coma sua beleza. Eis porque, na oração, deves ser levado pelo desejo de cantar o que quer que seja. Se cantas alguma coisa boa, isso será ainda da tua própria lavra. Ao passo que se puderes deixares-te levar – é isto o espírito de infância – deixarás que se expanda o que de mais profundo há em ti e que desconheces. Deus colocou em ti o murmúrio do Seu Espírito, mas tu abafa-lo com as tuas ideias, os teus cálculos e os teus programas. Deus pede-te que não controles a tua oração, mas que deixes brotar do teu coração esse canto novo do qual ninguém conhece a partitura, a não ser aquele que a recebe e no momento que a canta. Descobrirás assim o esplendor que sai de ti mesmo, porque foi o próprio Deus que o depôs lá. Não abafes a espontaneidade do Espírito que dorme em ti. No Céu, isto será perfeito, pois descobrirás na luz de Deus como és um servo inútil. E ao mesmo tempo, descobrirás a tua verdadeira importância que é seres um adorador em espírito e em verdade, tal como o Pai os procura (Jo 4,23).»

23 março 2007

Comunidade


Passava já muito tempo que caminhava sozinho.
Os seus companheiros tinham ficado para trás, perdidos nos seus problemas. Eles que os resolvessem, porque ele não tinha tempo para isso.
Também, pensou ele, não me fazem falta, o caminho é fácil e posso muito bem fazê-lo sozinho.
O caminho, até onde podia enxergar, era largo e sem obstáculos, a não ser pequenas coisas que ele com facilidade ultrapassava.
Com a sua força, com a sua vontade, confiava plenamente, que por si só, chegaria ao fim da caminhada, sem problemas.
Para quê ajudas, conselhos ou provas de amizade e amor. Afinal só empatavam quem queria andar e ele confiava absolutamente nas suas capacidades.
Não tinha dúvidas que alcançaria o prémio final, no fim da sua caminhada. Cada um por si, e quem não pensava assim ficaria com certeza para trás, arrastando os mais lentos, os mais pesados e fracos.
Continuou a andar. Cantarolava, pois a vida corria-lhe bem e sem problemas.
Ao longe, qualquer coisa surgia, parecendo interromper o caminho, mas pensou com as suas certezas: “Até é bom um obstáculo, para dar sabor à caminhada”.
À medida que se aproximava, ia percebendo que a interrupção no caminho era larga e também, que nesse lugar já se encontrava alguém.
Ao chegar perto, deu conta do obstáculo que tinha pela frente. Era um rio que corria veloz, separando em duas margens o caminho que percorria.
Reparou ainda, que nesse sítio já estava um homem, que olhava para o rio, sem saber como passar para o outro lado.


Nesse momento apercebeu-se com medo e angústia, que aquele obstáculo era para ele intransponível, pois para além de não saber nadar e talvez por isso mesmo, tinha medo de entrar na água nos rios ou nos mares.
Perguntou àquele que ali estava a seu lado:
«Não há pontes sobre este rio, aqui perto»?
Ao que o outro respondeu:
«Ao que sei, num raio de muitas centenas de quilómetros, não há qualquer ponte».
Perguntou então, confiante na sua boa sorte:
«E barcos, haverá barcos aqui perto»?
Respondeu o outro:
«Infelizmente, ao que sei, ao longo dos muitos quilómetros deste rio, não há qualquer barco».
Perguntou ainda, com uma réstia de esperança:
«Mas o rio é com certeza pouco fundo, pode atravessar-se a vau»?
O outro respondeu:
«Já experimentei e em poucos passos verifiquei que o rio é profundo e a corrente tem alguma força, motivo pelo qual, embora saiba nadar, tive medo de o atravessar sozinho».
Sentiu-se desesperar. Seria que ao fim de tanto tempo, de tanto caminho percorrido, de tantas vitórias, não seria capaz de transpor este obstáculo e continuar a sua caminhada.
Chamou a si toda a sua força de vontade, todas as suas capacidades e forças e obrigou-se a ultrapassar todos os seus medos, todas as suas angústias, todas as suas incertezas, mas infelizmente o medo da água, a angústia de não ser capaz, a incerteza de não saber como fazer tomaram conta dele.
Deu-se conta, então, de que por si só, sozinho, não seria capaz de ultrapassar aquele obstáculo.
Desejou naquela altura que os seus antigos companheiros estivessem junto dele, pois para além de naquele momento se sentir sozinho perante as suas incapacidades, parecia-lhe que se eles ali estivessem, o ajudariam a encontrar uma solução para o problema.
Olhou para o lado e viu o outro absorto em pensamentos, olhando para o rio e para a outra margem.
Decidiu perguntar-lhe, vencendo um pouco do seu orgulho:
«Vê alguma maneira de podermos atravessar este rio»?
O outro olhou demoradamente, ora para o rio, ora para si e respondeu pausadamente:
«Uma coisa é certa, cada um por si, sozinho, nunca conseguirá atravessar este rio, pois o meu amigo não sabe nadar e eu tenho medo de com a força da corrente, não conseguir atravessar e ser arrastado pelas águas».
Pensou um pouco e disse:
«Tenho uma corda no meu saco e assim proponho o seguinte: Eu ato a corda à minha cintura e vou tentar atravessar o rio a nado. Ao mínimo sinal de perigo para mim, o meu amigo puxa acorda e resgata-me das águas do rio.
Se eu conseguir atravessar, ato a corda numa das árvores da outra margem, enquanto o meu amigo a ata numa árvore desta margem e então servindo-se da corda já poderá atravessar o rio».
Disse-lhe ainda:
«Repare que vou colocar a minha vida nas suas mãos, enquanto o meu amigo coloca a sua confiança em mim. Acredita, assim, que eu em chegando à outra margem, atarei a corda à árvore, permitindo que atravesse o rio e continue a sua caminhada».
Conversaram mais um pouco e chegaram à conclusão que não havia outra alternativa a não ser a proposta.
O homem atou então a corda à cintura, deu a outra ponta ao caminhante e lançou-se à água.
A corrente, com alguma força, logo o arrastou uns bons metros rio abaixo, mas o homem voltando-se para a margem fez-lhe um gesto confiante e dizendo que estava tudo bem, continuou a nadar.


Veio à sua mente uma ideia, um sentimento que nunca tinha experimentado:
“Tinha nas suas mãos a vida daquele homem e dependia daquele homem para continuar a caminhada, que era a sua razão de viver”.
Isso abalou as suas estruturas, pois percebeu então, que sozinho não poderia fazer tudo e que a sua caminhada também dependia de outros, para além dele.
Prestou atenção ao outro e reparou que, com grande força de vontade, ia vencendo a corrente e já estava prestes a chegar à outra margem.
Outro sentimento novo tocou o seu coração: “Estava contente com a vitória daquele homem, não tanto porque ele lhe ia proporcionar a travessia do rio, mas porque o outro tinha vencido aquele obstáculo. Sentia que aquela vitória também lhe pertencia um pouco, pois era ele quem segurava a corda que dava confiança ao outro para lutar contra a corrente e continuar a travessia”.
O homem chegou à outra margem, saiu da água e caminhou para uma árvore que estava mesmo em frente do ponto em que ele estava na sua margem.



Deixou-o atar a corda à árvore e depois com toda a força de que era capaz, esticou-a e atou-a também à árvore que estava perto de si.
Olhou e não pode deixar de sentir um calafrio.
Aquela corda estreita e pequena balouçava sobre aquele rio e toda aquela água que passava em torrente.
Pensou que era uma segurança muito pouco visível e de pouca confiança, para uma travessia tão arriscada.
Agarrou a corda com toda a sua força e caminhou para o rio.
Assim que entrou no rio e a água lhe chegou à cintura, estacou. Não conseguia andar nem para trás, nem para a frente.
O seu desejo, o seu coração impeliam-no a atravessar e a não ter medo, mas a sua mente e o seu corpo diziam-lhe: “Estás doido, não vês que essa corda não é segurança nenhuma, que se vai partir a meio da travessia e tu vais morrer afogado”.
Estava estático, nada o fazia andar.
Da outra margem chegava a voz do homem que lhe dizia:
«Atravessa, não tenhas medo. A corda é segura, é inquebrável, nunca se partirá».
Mas mesmo assim, se o seu coração queria avançar, as suas pernas não o acompanhavam.
Ouviu então umas vozes atrás de si, que lhe diziam:
«Não tenhas medo, nós estamos aqui. Se alguma coisa não estiver a correr bem, nós vamos buscar-te e salvamos-te das águas turbulentas. Confia na corda, agarra-te a ela. Esta é a corda que te pode dar passagem para a outra margem, para poderes continuar a caminhada da tua vida».
Virando o pescoço, olhou para trás e viu na margem os seus antigos companheiros, acenando-lhe alegremente e pelos seus sorrisos percebeu que não estavam zangados nem ressentidos com ele.
Sentiu-se reconfortado, sentiu-se confiante e agarrando-se ainda mais à corda, pensou:
“És a minha esperança e eu acredito que não te partirás, porque és muito mais do que uma corda. És Aquele que tudo pode, Aquele em quem quero confiar, Aquele que me dá o caminho e com quem quero caminhar”.

Confortado com este pensamento que lhe invadiu o coração e com as vozes dos outros que o exortavam a continuar, deixou-se abraçar pela água e iniciou a travessia.
A meio do rio, apenas com a cabeça de fora de água, agarrado à corda, embora o medo fosse muito, embora a corrente fosse muito forte, embora a angústia o assaltasse, o seu pensamento era um só:
“Obrigado meu Deus, porque és a corda da minha vida. Agarrado a Ti nunca perecerei”.
De repente sentiu que os seus pés tocavam em terra firme e olhando pela primeira vez em seu redor, viu que tinha atravessado o rio e que o outro o abraçava com um sorriso, feliz porque ele tinha vencido aquele obstáculo.
Caiu de joelhos e ali mesmo levantou os braços ao Céu, dizendo com alegria:
«Obrigado meu Deus, porque me trouxeste até esta margem. Obrigado meu Deus, porque esqueceste o meu orgulho e a minha vaidade. Obrigado meu Deus, pelos irmãos que colocaste no meu caminho. Sem Ti, Senhor e sem eles, reconheço agora, nunca seria capaz».
Esperou que todos atravessassem o rio e pediu-lhes então que o escutassem:
«Deus deu-me hoje uma grande lição. Sozinhos, não somos nada. Sem Ele nunca poderemos ultrapassar os obstáculos que surgem nas nossas vidas. Mas ensinou-me também, que é no amor pelos outros e no amor dos outros, que podemos caminhar e arranjar forças para lutar».
«Proponho-vos então que caminhemos juntos, pois hão-de aparecer muitos outros rios, muitos outros obstáculos e então se mutuamente nos ajudarmos, as fraquezas de um, serão as fraquezas de todos e as vitórias de um, serão as vitórias de todos».
«Lembremo-nos no entanto da corda. Se não confiarmos nAquele que se nos dá, nAquele que tudo vence, nAquele que por amor nos sustenta e carrega, nem todos juntos conseguiremos vencer».
«Entreguemo-nos assim nas Suas mãos e confiantes partamos para a aventura da vida, ao encontro dAquele a quem agora nos consagramos».
De joelhos no chão, ergueram uma prece aos Céus e juntos oraram:
«Aqui estamos Senhor, queremos caminhar juntos, conduzidos por Ti, até à eternidade. Leva-nos Senhor, conduz-nos Senhor, segundo a Tua vontade».
De pé, unidos num abraço, partiram pelo caminho, sabendo em seus corações, que apesar dos obstáculos que surgissem, se continuassem unidos e entregues ao amor dAquele que ama, fazendo a Sua vontade, chegariam à vitória sobre o mundo e sobre a morte, para contemplarem eternamente a glória do Deus Único e Eterno.

19 fevereiro 2007

O NOVO CONTEXTO DA LUTA PELA VIDA


Conferência Episcopal Portuguesa

Nota Pastoral



Reunida em Assembleia extraordinária, após o habitual retiro, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro, decidiu propor algumas reflexões pastorais aos cristãos e à sociedade em geral.

1. Apesar de a maioria dos eleitores não se ter pronunciado, o resultado favorável ao “Sim” é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo português, que temos de enfrentar com realismo, pois indicia o contexto em que a Igreja é chamada a exercer a sua missão. Manifestou-se uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais, que deveriam inspirar o sentido das leis, como é o do carácter inviolável da vida humana, aliás consagrado na nossa Constituição. Esta mutação cultural tem várias causas, nomeadamente: a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião; as lacunas na formação da inteligência, que o sistema educativo não prepara para se interrogar sobre o sentido da vida e as questões primordiais do ser humano; o individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade, que influencia o conceito e o exercício da consciência pessoal; a relativização dos valores e princípios que afectam a vida das pessoas e da sociedade.
Reconhecemos, também, que esta realidade social, em muitas das suas manifestações, tem posto a descoberto, em vários aspectos, alguma fragilidade do processo evangelizador, mormente em relação aos jovens. A nossa missão pastoral, por todos os meios ao nosso alcance, tem de visar este fenómeno da mutação cultural, pois só assim ajudaremos a que os grandes valores éticos continuem presentes na compreensão e no exercício da liberdade.

2. Congratulamo-nos com a vasta e qualificada mobilização, verificada nas últimas semanas, em volta da defesa do carácter inviolável da vida humana e da dignidade da maternidade. É um sinal positivo de esperança. É importante que permaneça activa, que encontre a estrutura organizativa necessária, para continuar a participar neste debate de civilização.
O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino. Esta luta deveria empenhar, progressivamente, toda a sociedade portuguesa: Estado, Igrejas, movimentos e grupos e restante sociedade civil. E os caminhos para se chegar a resultados positivos são, a nosso ver: a alteração de mentalidades, a formação da consciência, a ajuda concreta às mães em dificuldade.

3. A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.
Faz parte dessa missão evangelizadora o esclarecimento das consciências. A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da liberdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade.
Esta verdade iluminadora das consciências provém de um sadio exercício da razão, no quadro da cultura; é-nos revelada por Deus, que vem ao encontro do ser humano; é património de uma comunidade, cuja tradição viva é fonte de verdade, enquadrando a dimensão individual da liberdade e da busca da verdade. Para os católicos, a verdade revelada, transmitida pela Igreja no quadro de uma tradição viva, é elemento fundamental no esclarecimento das consciências.
Aos católicos que, no aceso deste debate, se afastaram da verdade revelada e da doutrina da Igreja, convidamo-los a examinarem, no silêncio e tranquilidade do seu íntimo, as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina.
Aos fiéis católicos lembramos, neste momento, que o facto de o aborto passar a ser legal, não o torna moralmente legítimo. Todo o aborto continua a ser um pecado grave, por não cumprimento do mandamento do Senhor, “não matarás”.
Apelamos aos médicos e profissionais de saúde para não hesitarem em recorrer ao estatuto de “objectores de consciência” que a Lei lhes garante.
Às mulheres grávidas que se sintam tentadas a recorrer ao aborto, aos pais dos seus filhos, pedimos que não se precipitem. A decisão de abortar é, na maior parte dos casos, tomada em grande solidão e sofrimento. Um filho que, no início, aparece como um problema, revela-se, tantas vezes, como a solução das suas vidas. Tantas mulheres que abortaram sentem, mais tarde, que se pudessem voltar atrás teriam evitado o acto errado. Abram-se com alguém, reflictam, em diálogo, na gravidade da sua decisão.

4. Mas há uma resposta urgente a dar ao drama do aborto: criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo. Estudos recentes mostram que a maior parte das mulheres nessas circunstâncias, se fossem ajudadas não recorreriam ao aborto. É um dever de todos nós, de toda a sociedade, criar essas estruturas de apoio.
Uma das novidades da campanha do referendo foi o facto de muitos defensores do “Sim” – a começar pelo Governo da Nação, que se quis comprometer numa questão que não é de natureza estritamente política – afirmarem ser contra o aborto, quererem acabar com o aborto clandestino e diminuir o número de abortos. Registamos esse objectivo, mas pensamos que o único caminho eficaz e verdadeiramente humano é avançarmos significativamente na formação da juventude e no apoio à maternidade e à família. Não poderemos esquecer que, no quadro social actual, a maternidade se tornou mais difícil. No actual contexto das nossas sociedades ocidentais só se chegará a uma política equilibrada de natalidade com um apoio eficaz à maternidade, com particular atenção à maternidade em circunstâncias difíceis e, por vezes, dramáticas.
No que à Igreja diz respeito, continuaremos a incluir esta acção de acolhimento e ajuda às mães entre as nossas prioridades. Mas para que esta acção seja eficaz, precisa-se da convergência de todos, Estado e sociedade civil. Demo-nos as mãos para acabar com o aborto e tornar a lei, que agora se vai fazer, numa lei inútil.

5. A busca de uma solução, a médio e a longo prazo, tem de passar, também, por uma política de educação que forme para a liberdade, na responsabilidade, concretizada numa correcta educação da sexualidade. Esta constitui um dos dinamismos mais ricos e complexos do ser humano, onde se exprimem a dimensão relacional e a vocação para o amor e para a comunhão. Uma vivência desregrada da sexualidade é uma das principais causas das disfunções sociais e da infelicidade das pessoas. A sã educação da sexualidade há-de abrir para a gestão responsável da própria fecundidade, através de um planeamento familiar sadio, que respeite e integre as opções morais de cada um. Quando a geração de um filho não for fruto de irreflexão, mas de um acto responsável, estará resolvido, em grande parte, o problema do aborto.

6. A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida.

Fátima, 16 de Fevereiro de 2007

09 fevereiro 2007




Somos pela Vida!


Até quando?

Mais um referendo... mais uma decisão...

Somos pela vida, somos pela dignidade da mulher...

A dignidade da mulher não está no seu poder de decisão em aceitar ou não a gravidez.

Os filhos não são fruto apenas da decisão de uma mulher e de um homem. É, antes de tudo, um dom de Deus.

Nenhum de nós é fruto da opção dos nossos pais. É, antes de tudo, fruto do dom generoso de Deus, do seu amor pleno.


Quantos não são os que optam, decidem por ter um filho e não o podem.

Nós não somos fruto da opção dos nossos pais, mas, sim da bondade de Deus. A opção dos pais, em serem pais, é apenas uma adesão, um sim consciente à vontade de Deus.

Fala-se hoje de sexo seguro... estamos a viver num mundo sexualista... O aborto é a consequência mais vergonhosa da libertinagem sexual... (desculpem-me a agressividade dos termos, mas não consigo ser menos incisivo e pouco sincero).

Trabalhemos pela vida... construamos a vida! Há muito que fazer para dar condições do mundo ser melhor. O aborto (a morte de um ser humano em crescimento) não é a solução!


Também tenho pena das mulheres que abortam e são condenadas... todavia, tenho tristeza pela morte dos inocentes, que nada fizeram para pagar pelo erro de alguém. O assunto é bem mais sério. Se o aborto é a solução. Então liberemos também o homicído (que sempre vai existir), o uso de drogas (que sempre vai existir) ... É verdade que há mulheres que morrem ao recorrerem ao Aborto Clandestino (este vai sempre existir para fugir à lei, para quem quiser recorrer ao aborto depois das 10 semanas)... O que está mal, não é porque sempre vai existir que devemos liberá-lo!

Somos pela vida, acima de Tudo!

29 janeiro 2007

O Sacerdócio dos leigos e o Sacerdócio dos padres

Hoje vamos aprender sobre a colaboração dos leigos no ministério (serviço) dos sacerdotes na Igreja. Todos, sacerdotes e leigos, são chamados ao serviço. A missão é de todos os baptizados.
Cristo Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, quis que a Sua Igreja fosse participante do seu único e indivisível sacerdócio. Ela, a Igreja, é o povo da Nova Aliança, no qual «pela regeneração e unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para formar um templo espiritual e um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, mediante todas as suas actividades, e dar a conhecer os prodígios d’Aquele que das trevas os chamou à Sua luz admirável (cf. 1 Pd 2, 4-10)»; «Um é, pois, o Povo eleito de Deus: "um só Senhor, uma só fé, um só baptismo" (Ef 4, 5), pela dignidade dos membros através da regeneração em Cristo. Assim é a vocação à perfeição cristã».
Existindo entre todos «verdadeira igualdade quanto à dignidade e acção comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo», alguns são constituídos, por vontade de Cristo, «mestres, dispensadores dos mistérios e pastores em benefício dos demais». Tanto o sacerdócio comum dos fiéis como o sacerdócio ministerial ou hierárquico «ordenam-se um ao outro, embora se diferenciem na essência e não apenas em grau, pois ambos participam, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo». Entre eles dá-se uma eficaz unidade, porque o Espírito Santo unifica a Igreja na comunhão e no serviço e a provê de diversos dons hierárquicos e carismáticos.
A diferença essencial entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial não está, portanto, no sacerdócio de Cristo — que sempre permanece uno e indivisível — nem tampouco na santidade à qual todos os fiéis são chamados: «O sacerdócio ministerial, com efeito, não significa um maior grau de santidade em relação ao sacerdócio comum dos fiéis; mas através dele é concedido aos presbíteros (padres), por Cristo no Espírito, um dom particular para que possam ajudar o Povo de Deus a exercer com fidelidade e plenitude o sacerdócio comum que lhe é conferido». Na edificação da Igreja, Corpo de Cristo, existe uma diversidade de membros e de funções, mas um só é o Espírito, que para a utilidade da Igreja distribui os seus vários dons com magnificência proporcional à sua riqueza e à necessidade dos serviços (1 Cor 12, 1-11).
A diferença está no modo de participação no sacerdócio de Cristo e é essencial no sentido de que «enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça baptismal — vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito — o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça baptismal de todos os cristãos». Por conseguinte, o sacerdócio ministerial «difere essencialmente do sacerdócio comum dos fiéis porque confere um poder sagrado para o serviço dos fiéis». Para este fim, o sacerdote é exortado a «crescer na consciência da profunda comunhão que o liga ao Povo de Deus», para «suscitar e desenvolver a co-responsabilidade na comum e única missão de salvação, com a pronta e cordial valorização de todos os carismas e tarefas que o Espírito oferece aos crentes para a edificação da Igreja».
As características que diferenciam o sacerdócio ministerial dos Bispos e dos presbíteros do sacerdócio comum dos fiéis e que consequentemente delineiam os limites da colaboração destes no sagrado ministério podem ser assim sintetizadas:
a) O sacerdócio ministerial tem a sua raiz na sucessão apostólica e é dotado de um poder sagrado que consiste na faculdade e na responsabilidade de agir na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor.
b) Esse sacerdócio torna os ministros sagrados servidores de Cristo e da Igreja, mediante a proclamação autorizada da palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o governo pastoral dos fiéis.
Colocar os fundamentos do ministério ordenado na sucessão apostólica, já que esse ministério continua a missão que os Apóstolos receberam de Cristo, é ponto essencial da doutrina eclesiológica católica. Portanto, o ministério ordenado é constituído sobre o fundamento dos Apóstolos para a edificação da Igreja: «ele existe totalmente em função do serviço da mesma Igreja». «Intrinsecamente ligado à natureza sacramental do ministério eclesial está o seu carácter de serviço. Com efeito, inteiramente dependentes de Cristo que confere missão e autoridade, os ministros são verdadeiramente "servos de Cristo" (Rm 1, 1), à imagem de Cristo que assumiu livremente por nós "a condição de servo" (Fl 2, 7). E porque a palavra e a graça de que são ministros não são deles, mas de Cristo que lhas confiou em favor dos outros, eles se farão livremente servos de todos».
O padre está ao serviço dos servos de Deus. Somos todos chamados a servir, a implantarmos e desenvolvermos o Reino de Deus, aqui e agora.
PE. FILIPE LOPES

23 janeiro 2007

«VEM, SENHOR JESUS»



Vem, Senhor Jesus porque sem Ti já não há paisagem.

Vem, Senhor Jesus porque sem Ti não há melodias.

Vem, Senhor Jesus porque sem Ti não encontro paz em nada,
sem Ti os meus olhos não brilham.


A vida é coisa pouca, sem Ti, sem Ti, sem Ti, sem Ti, a vida é coisa pouca.


Vem, Senhor Jesus depressa à minha vida, depressa Senhor, depressa!


Porque sem Ti, eu não quero a vida, já não canto com alma, as minhas mãos não servem


e nem escuto quem sofre, não abraço com força, o meu coração não se abre, o meu sorriso não é pleno!

Tudo sem Ti, nada vale a pena, porque sem Ti já nada me preenche, porque sem Ti tudo soa vazio, sem Ti tudo me deixa tristeza,


porque sem Ti já não respiro fundo, porque sem Ti tudo me cansa,

porque sem Ti me falta tudo e me sobra tudo, tudo sem Ti, sem Ti...





Vem, Senhor Jesus depressa à minha vida, depressa Senhor, depressa!


Porque sem Ti não me importa o irmão, não me importa o que ele sofre,

porque sem Ti meu coração é de pedra a quem tudo resvala,

acostumado aos pobres, acomodado lá em casa,
sem apostar na vida, sem gastá-la por nada,



sem gastá-la por nada…


Vem, Senhor Jesus depressa à minha vida, depressa Senhor, depressa!

(Irmã Glenda)

19 janeiro 2007

Comunidade Luz e Vida

Nossa História:

Porque existimos?


Acreditamos que a Comunidade Luz e Vida existe por vontade de Deus. Os factos comprovam que a nossa Comunidade desde sempre existiu no Coração de Jesus.
Quando o Pe Filipe foi falar com o seu bispo, Dom Serafim Ferreira Sousa e Silva, da diocese de Leiria-Fátima, sobre o seu desejo de começar uma comunidade, a resposta do bispo foi imediata e sem reservas: “Caminhem!”
Ainda quando era seminarista, o Pe Filipe Lopes, fundador da Comunidade Luz e Vida, sentia no seu coração que o Senhor o chamava para uma vida missionária. Estava a estudar para ser padre diocesano, mas no seu coração habitava o desejo de ir mais além. Conhecendo o Renovamento Carismático Católico e fazendo algumas experiências de vida e missão nalgumas comunidades carismáticas de Portugal e do Brasil no tempo de férias, foi percebendo cada vez mais, mediante aos acontecimentos, que Deus queria uma nova comunidade em Portugal.
Com o Marcelo, um jovem brasileiro que está com o Pe Filipe desde o começo da Comunidade, convidou um grupo de pessoas amigas, entre elas jovens e casais, para uma reunião no dia 29 de Julho de 2001, onde apresentaria o perfil da comunidade. Este grupo a cada reunião foi aumentando, – … “e o Senhor aumentava todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação” (Act 2, 47) – de modo que hoje, em 2005, a Comunidade Luz e Vida já pode contar com 60 membros, entre casais e solteiros. Sendo que, actualmente 4 jovens vivem em Comunidade de Vida, partilhando a vida com o fundador, e os outros membros que vivem em suas casas, têm o seu próprio trabalho, mas comungam da mesma espiritualidade e da mesma regra de vida da Comunidade Luz e Vida.

Identidade e Carisma

A Comunidade Luz e Vida é como uma pequena semente de libertação no meio do mundo. Ela é chamada a ser sacramento do amor de Deus de modo preferencial no meio dos jovens e para os jovens. A sua missão é viver a consagração pela comunhão com Deus no seguimento de Jesus Cristo e pela vida fraterna, em ordem ao serviço da evangelização.
O que é a Comunidade Luz e Vida? É um carisma próprio que pretende reunir leigos, consagrados, casais, jovens, adultos, crianças, viúvos e viúvas, enfim, todos os estados de vida. Pessoas que recebem o mesmo chamamento para servir a Igreja e os irmãos.
Porquê Luz e Vida? Porque na oração o Senhor assim o inspirou: “N’Ele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens” (Jo 1,4); e “Vou fazer de ti luz das nações, a fim de que a Minha salvação chegue até aos confins da terra” (Is 49,6b).
Somos uma comunidade que nasceu na Igreja para ser Igreja e conduzir os outros para a mesma realidade. Sentimos que Deus nos chama a vivermos em comunidade para fortalecer a nossa fé, a nossa esperança e o nosso amor, e assim, para que possamos levar a Sua Palavra a todos os corações, pelos meios que Ele nos permitir.
A Comunidade Luz e Vida vai caminhando e sentindo mais forte o chamamento de Deus. Já não duvidamos que o Senhor nos congregou para uma missão evangelizadora. Ele quer servir-Se de nós. Temos profunda consciência de que somos seus servos.
A Comunidade Luz e Vida vive como princípio fecundo e efectivo a realidade da contemplação na acção. Somos chamados a adorar a Jesus, prostrarmo-nos aos Seus pés, comos os pastorinhos de Fátima, mas a estarmos ao mesmo tempo, assim como os pastorinhos, a cuidar do Rebanho que Ele nos confia.

A Nossa Espiritualidade

A nossa espiritualidade é carismática. Nascemos dentro do Renovamento Carismático Católico na Diocese de Leiria Fátima. A nossa espiritualidade está fundamentada na espiritualidade dos pastorinhos de Fátima e na dinâmica do Renovamento Carismático Católico.
Procuramos viver alguns princípios básicos para sustentar uma espiritualidade sólida e fecunda.
A nossa regra de vida é a seguinte:

Diariamente:

Oração de Louvor Matinal (Laudes)
Eucaristia
Adoração
Rosário
Estudo Bíblico (Lectio Divina)

Semanalmente:

Jejum (às Sextas-feiras)
Formação espiritual/humana/missionária/…

Mensalmente:

Confissão
Formação espiritual/humana/missionária/…
Convívio Comunitário
Atendimento pessoal com o Fundador e/ou com o Formador Conselheiro

Anualmente:

Retiro anual
Cursos de formação para a missão

Nossa Missão:


Missão e Actividades


Desde que começamos a comunidade, sentimos que Deus nos chamava a estarmos abertos a todas as realidades possíveis para evangelizarmos. Surgiu nesse tempo muitas oportunidades: um programa de televisão, um programa de rádio, encontros de formação e evangelização por todo o país, evangelização nas praias, etc…
A Comunidade Luz e Vida não medirá esforços para fazer acontecer, em Portugal e quem sabe no mundo, o Evangelho de Jesus.


Nossas Actividades:


Tarde de Louvor

Todos os primeiros Domingos de cada mês, a Comunidade Luz e Vida realiza na igreja paroquial de Albergaria dos Doze uma Tarde de Louvor. Louvamos o Senhor pela oração e pelos cânticos, ouvimos a Sua palavra através de uma pregação ou ensinamento, celebramos a Eucaristia e deixamo-nos guiar pelo Espírito do Senhor. Começamos às 14h30 e vamos até às 18h30.

Dia de Louvor

Três vezes ao ano (Janeiro, Maio, Setembro) fazemos em Fátima, no Anfiteatro do Paulo VI, um Dia de Louvor. Deus tem realizado muitas conversões, curas, libertações e maravilhas nas vidas de muitas pessoas que têm participado nesses dias de acção de graças. Começamos às 09h00 e terminámos às 18h30.

Encontro de jovens

A Comunidade Luz e Vida sente que a sua vocação primeira é a evangelização dos jovens. Por isso, três vezes ao ano (Páscoa, Natal e Verão) fazemos em nossa casa um encontro de jovens. São momentos de verdadeiro encontro pessoal com Cristo e de transformação de vida.

Encontros de Formação e Espiritualidade

A Comunidade Luz e Vida está aberta aos dons do Espírito Santo. Por isso sente-se vocacionada, pela força do carisma que recebeu, a pregar retiros, conduzir grupos de Oração, promover encontros de Cura interior e Libertação, encontros de Formação, em todo o país e exterior. Temos, por graça de Deus, percebido na Comunidade, os Carismas da Pregação, do Ensinamento e da Cura interior e libertação.


Evangelização no Verão

Quando somos chamados, ou por iniciativa nossa, vamos às praias evangelizarmos. Cantamos louvores ao Senhor e conduzimos momentos de oração. São verdadeiros momentos de alegria e de encontro com o Senhor. Alguns casais e jovens da nossa comunidade estão abertos ao convite de evangelizarem nas praias de todo o país, desde que tenham onde ficar para poderem atender as pessoas em oração e contar com a providência de Deus.

Atendimentos de Oração e Aconselhamento

Todas as Sextas-feiras fazemos adoração ao Santíssimo Sacramento na igreja paroquial de Albergaria dos Doze e atendemos em oração as pessoas que ligam e marcam atendimento. Graças a Deus têm acontecido momentos fortes de libertação e intercessão.

Nossos Projectos

Termos uma quinta onde possamos construir as nossas casas e um grande espaço para acolhermos a todos nos nossos encontros de oração e formação
Evangelizarmos através de programas de Televisão, Rádio e pela Internet. Já temos um Site que está em Construção: http://www.comunidadeluzevida.com/
Gravação de CDs
Edição de Livros de Espiritualidade e Formação
Aquisição de uma Rádio ao serviço da evangelização
Grupo de Teatro
Promoção de Eventos de Evangelização
Fazermos sempre a vontade de Deus…