29 janeiro 2007

O Sacerdócio dos leigos e o Sacerdócio dos padres

Hoje vamos aprender sobre a colaboração dos leigos no ministério (serviço) dos sacerdotes na Igreja. Todos, sacerdotes e leigos, são chamados ao serviço. A missão é de todos os baptizados.
Cristo Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, quis que a Sua Igreja fosse participante do seu único e indivisível sacerdócio. Ela, a Igreja, é o povo da Nova Aliança, no qual «pela regeneração e unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para formar um templo espiritual e um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, mediante todas as suas actividades, e dar a conhecer os prodígios d’Aquele que das trevas os chamou à Sua luz admirável (cf. 1 Pd 2, 4-10)»; «Um é, pois, o Povo eleito de Deus: "um só Senhor, uma só fé, um só baptismo" (Ef 4, 5), pela dignidade dos membros através da regeneração em Cristo. Assim é a vocação à perfeição cristã».
Existindo entre todos «verdadeira igualdade quanto à dignidade e acção comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo», alguns são constituídos, por vontade de Cristo, «mestres, dispensadores dos mistérios e pastores em benefício dos demais». Tanto o sacerdócio comum dos fiéis como o sacerdócio ministerial ou hierárquico «ordenam-se um ao outro, embora se diferenciem na essência e não apenas em grau, pois ambos participam, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo». Entre eles dá-se uma eficaz unidade, porque o Espírito Santo unifica a Igreja na comunhão e no serviço e a provê de diversos dons hierárquicos e carismáticos.
A diferença essencial entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial não está, portanto, no sacerdócio de Cristo — que sempre permanece uno e indivisível — nem tampouco na santidade à qual todos os fiéis são chamados: «O sacerdócio ministerial, com efeito, não significa um maior grau de santidade em relação ao sacerdócio comum dos fiéis; mas através dele é concedido aos presbíteros (padres), por Cristo no Espírito, um dom particular para que possam ajudar o Povo de Deus a exercer com fidelidade e plenitude o sacerdócio comum que lhe é conferido». Na edificação da Igreja, Corpo de Cristo, existe uma diversidade de membros e de funções, mas um só é o Espírito, que para a utilidade da Igreja distribui os seus vários dons com magnificência proporcional à sua riqueza e à necessidade dos serviços (1 Cor 12, 1-11).
A diferença está no modo de participação no sacerdócio de Cristo e é essencial no sentido de que «enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça baptismal — vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito — o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça baptismal de todos os cristãos». Por conseguinte, o sacerdócio ministerial «difere essencialmente do sacerdócio comum dos fiéis porque confere um poder sagrado para o serviço dos fiéis». Para este fim, o sacerdote é exortado a «crescer na consciência da profunda comunhão que o liga ao Povo de Deus», para «suscitar e desenvolver a co-responsabilidade na comum e única missão de salvação, com a pronta e cordial valorização de todos os carismas e tarefas que o Espírito oferece aos crentes para a edificação da Igreja».
As características que diferenciam o sacerdócio ministerial dos Bispos e dos presbíteros do sacerdócio comum dos fiéis e que consequentemente delineiam os limites da colaboração destes no sagrado ministério podem ser assim sintetizadas:
a) O sacerdócio ministerial tem a sua raiz na sucessão apostólica e é dotado de um poder sagrado que consiste na faculdade e na responsabilidade de agir na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor.
b) Esse sacerdócio torna os ministros sagrados servidores de Cristo e da Igreja, mediante a proclamação autorizada da palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o governo pastoral dos fiéis.
Colocar os fundamentos do ministério ordenado na sucessão apostólica, já que esse ministério continua a missão que os Apóstolos receberam de Cristo, é ponto essencial da doutrina eclesiológica católica. Portanto, o ministério ordenado é constituído sobre o fundamento dos Apóstolos para a edificação da Igreja: «ele existe totalmente em função do serviço da mesma Igreja». «Intrinsecamente ligado à natureza sacramental do ministério eclesial está o seu carácter de serviço. Com efeito, inteiramente dependentes de Cristo que confere missão e autoridade, os ministros são verdadeiramente "servos de Cristo" (Rm 1, 1), à imagem de Cristo que assumiu livremente por nós "a condição de servo" (Fl 2, 7). E porque a palavra e a graça de que são ministros não são deles, mas de Cristo que lhas confiou em favor dos outros, eles se farão livremente servos de todos».
O padre está ao serviço dos servos de Deus. Somos todos chamados a servir, a implantarmos e desenvolvermos o Reino de Deus, aqui e agora.
PE. FILIPE LOPES

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