24 agosto 2007

REFLEXÕES SOBRE A FAMILIA


João Paulo II

«A família é a primeira e fundamental comunidade humana».

«Deus quis que a união de amor entre marido e mulher fosse a origem de novas vidas».

«O vosso filho: carne da vossa carne e osso dos vossos ossos».

«Todos os membros da família devem sentir-se aceites e respeitados, porque se devem sentir amados».

«Fazei da vossa família um oásis de paz e de confiança, orai pela vossa família».

«A família vem de Deus. Ele abençoou o amor do homem e da mulher e tornou-o fonte de ajuda mútua».

«O lugar e a missão do pai na família são de uma importância insubstituível».

«Os esposos, pelo dom da vida a uma nova pessoa humana, tornam-se cooperadores de Deus».

«A família á a primeira e fundamental comunidade humana»

«A família, comunidade de pessoas, é, a primeira “sociedade” humana» - Carta às Famílias – 1994

«O homem torna-se imagem de Deus não tanto no momento da solidão quanto no momento da comunhão.» Catequese em 14.11.1979

«Os pais são os primeiros e principais educadores dos próprios filhos e têm neste campo competência fundamental: são educadores porque pais.» J P II - Carta às famílias – 94

«Um dos campos onde a família é insubstituível, é certamente o da educação religiosa, graças à qual a família cresce como “igreja doméstica”. A educação religiosa e a catequese dos filhos colocam a família no complexo da Igreja como verdadeiro sujeito de evangelização e de apostolado.» JP II – Carta às famílias – 94

«A oração familiar tem as suas características. É uma oração feita em comum, marido e mulher juntos, pais e filhos juntos. A comunhão de oração é, ao mesmo tempo, fruto e exigência daquela comunhão que é dada pelos sacramentos do baptismo e do matrimónio. Aos membros da família cristã podem aplicar-se de modo particular aquelas palavras com que Cristo promete a Sua presença: “Digo-vos ainda: se dois de vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos Céus, pois onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio deles.”» - Familiaris Consortio 59

«Elemento fundamental e insubstituível da educação para a oração é o exemplo concreto, o testemunho vivo dos pais: só rezando em conjunto com os filhos, o pai e a mãe, enquanto cumprem o próprio sacerdócio real, entram em profundidade no coração deles, deixando marcas que os acontecimentos futuros da vida não conseguirão fazer desaparecer. Lembremos o apelo que o Papa Paulo VI dirigiu aos pais: “Mães ensinais aos vossos filhos as orações do cristão? Em consonância com os Sacerdotes, preparais os vossos filhos para os sacramentos da primeira idade: confissão, comunhão e crisma? Habituai-los, quando enfermos, a pensar em Cristo que sofre, a invocar o auxilio de Nossa Senhora e dos Santos? Rezais o terço em família? E vós, pais, sabeis rezar com os vossos filhos, com toda a comunidade doméstica, pelo menos algumas vezes? O vosso exemplo, na rectidão do pensamento e acção, acompanhada com algumas orações comuns, tem o velor de uma lição de vida, tem o valor de um acto de culto de mérito particular; levais assim paz às paredes domésticas: «Pax huic domui!». Recordai: deste modo construís a Igreja!”» - Familiaris Consortio 60

«Na medida em que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé, é que se torna comunidade evangelizadora. Escutemos de novo Paulo VI: “A família, como a Igreja, deve ser um lugar onde se transmite o Evangelho e donde o Evangelho irradia. Portanto no interior de uma família consciente dessa missão, todos os membros evangelizam e são evangelizados. Os pais não só comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem também receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. Uma tal família torna-se, então, evangelizadora de muitas famílias e do ambiente em que está inserida”». Familiaris Consortio 52


Bento XVI

«A família é o local privilegiado onde cada pessoa aprende a dar e a receber amor.» Bento XVI – Valência – 7.2.2006-11-24

«Na origem de qualquer homem está presente Deus Criador. Por isso os pais devem acolher a criança que nasce não apenas como seu filho, mas também de Deus, que o ama por si mesmo e o chama à filiação divina. Mais ainda: todas as gerações, toda a paternidade e maternidade, toda a família, têm o seu princípio em Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.» Bento XVI – Valência

«Na origem de todo o ser humano, não existe acaso ou casualidade, mas sim um projecto do amor de Deus.» Bento XVI – Valência

«A linguagem da fé aprende-se nos lugares onde esta fé cresce e se fortalece através da oração e da prática cristã.» Bento XVI – Valência

«Transmitir a fé aos filhos, com a ajuda de outras pessoas e instituições como a paróquia, a escola ou as associações católicas, é uma responsabilidade que os pais não podem esquecer, descuidar ou delegar completamente.» Bento XVI – Valência

«Os avós dão aos mais pequenos a perspectiva do tempo, são memória e riqueza das famílias.» Bento XVI – Valência

07 agosto 2007

Oração em Línguas 10


"Não é provável que esta oração no futuro próximo tenha entrada nas grandes assembleias litúrgicas.
No final do Evangelho de São Marcos que apareceu somente em meados do séc. II, diz-se: “E acontecerão estes sinais aos que acreditarem: … falarão em outras línguas” (Mc 16,17).
Por isso cem anos após a morte de Jesus ainda era geralmente conhecido o sentido da oração em línguas e o texto dá a perceber a opinião de que este “sinal” da presença do Espírito Santo não só foi dado à primeira geração cristã, mas também é um fenómeno normal da missão cristã.
Hoje estamos de novo perante uma nova época da história da fé, e ainda não encontramos a linguagem para descrever esta novidade do Deus sempre novo.
O Senhor da história quer purificar a nossa linguagem, irromper a partir do interior, dar-nos palavras novas: Quando devolvermos as profundidades da nossa faculdade linguística ao Seu Mistério, então anunciaremos “com coragem o mistério do Evangelho” (Ef 6,19) de forma nova no nossa inteligível língua mãe.
Concluindo, importa salientar: O Carisma da oração em línguas tem – como qualquer outro Carisma – como pressuposto uma capacidade natural, a saber, a capacidade humana de falar.
A oração em línguas deve por isso, como qualquer Dom do Espírito Santo, ser examinada sobre a sua autenticidade.
A pronúncia da série ininteligível de vogais e consoantes é um fenómeno que é plenamente conhecido dos médicos em determinadas doenças ou também aparece em estados de embriaguês. Não é portanto carismática, mas tem origem puramente psicológica. "


"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mülhen


(A identificação do autor está em "Oração em Línguas 6" )


Termina aqui esta série de textos sobre a Oração em Línguas, embora o tema esteja longe de estar esgotado. Voltaremos a ele.

02 agosto 2007

Oração em Línguas 9


"Espera Deus de ti que também peças este Dom?
Paulo diz aos Coríntios: “Eu desejo que todos faleis em línguas” (1 Cor 14,5) e agradece especialmente a Deus por ele mesmo falar em línguas (v. 18). Por isso ele exorta a que não se impeça o Dom de línguas (v. 39), mas acentua também que este Dom “dado” por Deus não é concedido a todos (1 Cor 12, 28.30).
Ele é dado à maioria das pessoas, quando elas estão dispostas a entregar também a Deus a sua própria língua.
Na nossa cultura moderna e racionalista há contudo que ultrapassar determinadas barreiras de medo, quando alguém pede o Dom de línguas: Nós fomos educados a observar-nos constantemente a nós mesmos, a apresentar obras intelectuais, a não nos abandonarmos precipitadamente e sem critica a algo que não conhecemos.
Mas, na oração em línguas, devemos primeiramente sair do barco ao qual estamos habituados e que nos dá protecção. Devemos procurar o impossível e caminhar sobre a água, apesar de considerarmos incrível que ela nos suporte.
Neste caso, vale também para nós a exclamação de Jesus “Tende confiança; sou Eu, não tenhais medo!” (Mt 14,27).
Pode ser que à primeira vez te excites muito, pois deves realmente atravessar um umbral, deves soltar-te totalmente a ti mesmo, apenas rezar, sem prestar atenção aos sons que produzes. Muitos têm medo, e por isso é uma ajuda quando aqueles que já receberam este Dom rezam em línguas juntamente contigo a primeira vez.
A muitos esta oração é dada sem nenhuma emoção interior, quando muito filial e “ingenuamente” se abandonam a Deus. Esta oração de per si não tem nada que ver com extâse e arrebatamento emocional".

"Experiência Fundamental do Cristianismo" - Heribert Mühlen

(A identificação do autor está em "Oração em Línguas" 6)