29 setembro 2008

A Igreja Católica

Vou ouvindo e lendo diversos cristãos católicos e fico triste, muito triste.

A Igreja Católica é por alguns deles muito mal tratada, é mesmo alvo de muitas criticas e ataques, alguns até de uma certa violência oral e escrita.

E a maior parte das acusações podem resumir-se praticamente apenas numa: “abuso de poder”.

E as razões apresentadas dizem que são porque proibiu este ou aquele teólogo, porque estabeleceu determinada regra, porque não deixa as pessoas serem “livres” para fazerem o que lhes apetece, etc., etc.

Mas a acusação que mais me espanta é a de que a Igreja não interpreta verdadeiramente, não é “fiel depositária” da Doutrina de Jesus Cristo!

Mas aqueles que assim escrevem consideram-se eles próprios os detentores da “verdade” baseados em conhecimentos que não se percebe bem de onde vêm, e em interpretações da Bíblia tantas vezes feitas para darem cobertura às suas reflexões.

Não, não estou a dizer que sejam mal intencionados a maior parte deles, pelo contrário, julgo que buscam a verdade, mas infelizmente, digo eu, a sua própria verdade.

Curiosamente a autoridade doutrinária que eles recusam à Igreja de Cristo, fundada em Pedro, reconhecem-na, ou julgam-se eles detentores da mesma, fazendo afinal o mesmo de que acusam a Igreja.

Muitos deles afirmam peremptoriamente na sua escrita o que a Igreja Católica devia ou deve ser, como que intérpretes indiscutíveis da vontade de Jesus Cristo, negando aos outros, à própria Igreja, as suas interpretações, porque apenas eles não se podem enganar.

Muitas vezes a exclusão que apontam á Igreja, praticam-na eles também ao afirmarem que a Igreja é dos pobres, dos excluídos da sociedade, a maior parte das vezes apenas com uma visão material da pobreza e da exclusão, pondo de lado aqueles que estão “bem na vida”, ou que levam a vida de acordo com os valores morais comummente aceites.

E há tanto rico, que é mais “pobre” que os pobres!

E há tantos que vivem de acordo com os valores morais comummente aceites e no entanto tão afastados de Deus!

A Igreja é de todos e todos têm que nEla caber!

Jesus Cristo andou com pobres e excluídos, mas também comeu com cobradores de impostos e fariseus, que não eram nem pobres, nem excluídos da sociedade, mas pobres de Deus e “auto-excluídos” do caminho da salvação.

Não tenho dúvidas, não por qualquer revelação pessoal, mas por convicção profunda, que Jesus Cristo quando fundou a Sua Igreja em Pedro, sabia que os homens que a constituiriam seriam fracos, pecadores, que haviam de falhar muitas vezes e em muitos momentos, mas Ele também disse que: «as portas do abismo nada poderão contra ela.» Mt 16,18

E os homens falharam e continuam a falhar, mas a Igreja no seu todo, Corpo Místico de Cristo é una, santa, católica e apostólica, e enquanto tal, garante indelével da pureza da Revelação que o Pai deu aos Seus filhos, por Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo.

Quando reflectimos na vida das Santas e Santos reparamos que por todos eles perpassam várias virtudes, uma das quais é sem dúvida a obediência por amor.

Não se venha dizer agora que foi por serem obedientes que foram “declarados” Santos, mas sim verdadeiramente porque sendo Santos tinham a graça da obediência no amor.

E com certeza que tinham a graça da obediência, porque sendo Santos, (que é afinal o que todos devíamos desejar ser), aceitavam a verdade da Palavra de Cristo, que disse: «Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.» Mt 16,19, e assim sendo acreditavam e acreditam que a Igreja detêm esse poder que lhe foi dado por Deus, e mais, acreditavam e acreditam também, que se o seu caminho, as suas reflexões, os seus procedimentos estiverem em comunhão com Cristo, então mais tarde ou mais cedo a Igreja lhes dará razão, como já aconteceu tantas vezes na história da Igreja.

Porque a eles não lhes interessava ter razão, só para terem razão, porque não eram eles que eram importantes, mas interessava-lhes sim a unidade da Igreja, (para além dos homens), que não podia, nem devia ser abalada, na convicção profunda de que se fosse da vontade de Deus, aquilo que hoje podia ser causa de divisão, passaria a ser causa de mais união, comunhão e conhecimento de Deus no tempo futuro.

E não se julgue que tanto antigamente como agora nos nossos dias, eles não tinham seguidores que queriam impor as suas reflexões, os seus ensinamentos, os seus modos de viver, mas eram então eles que em obediência de amor, pelo seu testemunho de humildade, ajudavam e exortavam os outros a serem fiéis à Igreja, a serem fiéis à Palavra de Cristo.

Eles tinham feito a parte deles, orando, meditando, reflectindo, e se a Verdade lhes assistia, “competia” agora ao Espírito Santo mostrá-la aos homens da Igreja.

«O Espírito Santo e nós próprios resolvemos não vos impor outras obrigações além destas, que são indispensáveis» Act 15,28

«E nós somos testemunhas destas coisas, juntamente com o Espírito Santo, que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem.» Act 5, 32

Sim, também a mim por vezes me incomodam certas atitudes que a Santa Sé toma em relação a determinadas coisas, mas acredito, quero acreditar, tenho que acreditar, que o Espírito Santo assiste continuamente à Igreja, e se por vezes os homens se sobrepõe à Sua vontade, a Sua vontade acabará por se realizar porque: «as portas do abismo nada poderão contra ela.» Mt 16,18

Assim, descanso na certeza desta verdade, e oro, oro continuamente para que os homens da Igreja estejam de coração aberto, disponíveis, fiéis e perseverantes ao Sopro do Espírito Santo, amor do Pai e do Filho derramado na humanidade.

Sei que alguns dirão que esta é uma maneira simplista de ver as coisas, mas permitam-me que vos diga que não é simplista, mas simples, porque também eu estudo, medito, reflicto, analiso e abro-me ao Espírito Santo pedindo-Lhe, exigindo-Lhe até, que me faça simples, para que o conhecimento que me é dado ter, não coloque em causa a minha Fé, mas que a fortifique, que a enraíze de tal modo que quando oro o Credo, ele seja verdade na minha boca, no meu coração, na minha vida.

Com este texto não quero dizer que a Igreja não pode ser criticada, mas pelo contrário que pode e até deve, mas numa critica construtiva em que sejamos pedras vivas na construção e não “brechas” no edifício.

Que não usemos argumentos estafados como a “opulência”, as vestes, os rituais, a própria liturgia, mas sim que oremos, que peçamos a assistência contínua do Espírito Santo à Igreja, aos homens escolhidos para nos guiarem, e que nunca deixemos de fazer chegar a esses mesmos homens as razões da nossa critica, aceitando humildemente que possamos não ter razão, ou que não tenha chegado o tempo de termos razão.

Deus ama-nos a todos nós, com todos os nossos defeitos, com os nossos pecados, que por Sua graça vamos tentado corrigir, converter, para chegarmos à graça final de vivermos puros eternamente na Sua presença.

Amemos também nós a Igreja, com todos os defeitos e pecados dos homens que a constituem, principalmente daqueles que foram chamados a servi-La no Seu Magistério, na Fé de que o Espírito Santo nunca Lhe faltará e sempre assistirá e conduzirá na correcção do que estiver errado, na procura da pureza que dEla faz «una, santa, católica e apostólica».

23 setembro 2008

Dia de Louvor


A Maria João do blogue Deus em Tudo e Sempre escreveu este texto sobre o Dia de Louvor da Comunidade Luz e Vida.


Agradecendo-lhe por isso, aqui fica a sua vivência desse dia.


O sopro da Vida


Este domingo estive num encontro de oração da Comunidade Luz e Vida, em Fátima. Quem me convidou foi o Joaquim do Que É a Verdade. Abençoada a hora e abençoado ele seja. Foi um dia muito bom de louvor e oração a Jesus e a Maria. Aqui fica um pouco do que vivi e aprendi.


- A Felicidade está dentro de nós. O Amor está dentro de nós. E porquê? Porque Cristo está dentro de nós e só Ele é o verdadeiro Amor. Já olhaste para dentro de ti? Não busques a felicidade e o amor só fora de ti. Sabes o que acontece? Vais viver consoante aquilo e aqueles que encontras. E, quando todos eles partirem, vais sentir-te só e desamparado. Claro que com isto não quero dizer que não deves amar ninguém. Deus não quer isso. Podes e deves amar, mas deves saber amar. Quando perdes alguém, não te esqueças que continuas a ter Amor dentro de Ti. Esta é a verdade. O Amor está dentro de nós, independentemente de quem está ou já passou na nossa vida. Ninguém te pode tirar o Amor e a Felicidade. E quando parece que isso aconteceu, lembra-Te: o Amor está dentro de mim. Vamos dizer a nós próprios: “Vou sair desta solidão, leve o tempo que levar. Deus vai ajudar-me.”

- Deus, ou seja o Amor, está dentro de ti. Com isso não podes fazer nada. Podes abafá-Lo, criar um “deus” feito à tua medida, um “deus” só para de vez em quando, podes negá-Lo, mas Ele continua em Ti, à espera que O deixes amar-te e iluminar-te, através do Seu Espírito.
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- E não te esqueças que Deus só te dá aquilo de que necessitas. Só permite o sofrimento que consegues aguentar (mesmo que não pareça) e que te leva a aprender e a ver o Bem. Aproveita o que Ele te dá. Não deites fora.

- Para isso tens de deitar fora todo o “entulho” de mágoas, traumas, raiva, ódio, vingança, julgamento, vícios… O Amor só age se esse entulho desaparecer. Costumamos dizer que não conseguimos ser felizes… Só há uma razão para isso: ainda não deitámos fora o “entulho”. Por que o Amor, Deus, está dentro de nós e nada, nem ninguém nos podem tirar a Felicidade e a Paz que Deus tem.

- Mas – perguntas tu – como vou tirar o “entulho”? Há tantos anos que sofro? Muitos dirão ao ler isto: “Eu acredito em Cristo e faço a Sua Vontade, mas continua a haver uma mágoa dentro de mim... Como tiro este “entulho”? Com a ajuda de Deus. Com o tempo. Com a ajuda de quem também já aprendeu a tirar o “entulho” e a deixar o Espírito agir. Vai levar tempo. Podes precisar até de ajuda médica, nos casos dos traumas. Mas vais conseguir. Deus está em ti e o Seu Amor ninguém te o pode tirar. Podes tê-lo abafado. Mas, Ele continua lá á Tua espera, cheio de Misericórdia. Procura uma comunidade de oração. Pessoalmente, já percorri algumas. Todas me ajudaram. Mas, a que mais me tem ajudado a tirar o “entulho” – próprio a qualquer ser humano – é a do Renovamento Carismático.

- Não vás atrás das ideias feitas de que são uns malucos que andam por aí. O Renovamento não é mais do que renovares Deus em Ti. É aceite pela Igreja e há pessoas das mais variadas ordens e institutos que fazem parte destes grupos de oração. É aprenderes a viver Cristo, a teres um compromisso com Cristo e com o teu próximo, a viveres o Evangelho, a aprenderes a carregar as cruzes, que às vezes, são tão pesadas. Há vários grupos por todo o país. Informa-te em http://www.ecclesia.pt/rcc/.


- Atenção: os grupos de oração, se são de Deus, são todos importantes. Falo do Renovamento, porque pessoalmente e para muitas pessoas, foi uma lufada de ar fresco na nossa fé e no Amor por Deus. O caminho para Deus, para o Amor, não tem de passar pelo Renovamento, mas também pode passar por aí, daí ter falado disto. O importante é haver oração, palavra e acção, com compromisso e vivendo Cristo na Sua Amada Igreja.

- As pessoas estão cansadas de lhes falarem de Deus e de não O sentirem. Quantas vezes se vai à missa, se reza, se faz o Bem, mas sentimos que falta algo… Pois, também sei o que isso é. Falta o compromisso e o viver Cristo. Viver o Seu exemplo que nos liberta. Não penses que vais deixar de ter cruzes. A cruz faz parte da vida. Mas, vais sentir-Te amado por Deus e vais senti-Lo como realmente Ele é: Amor. Não apenas como um “deus” de tradições que se cumprem por se cumprir.

- E não te esqueças: Jesus pede-Te um compromisso diário. Um compromisso que nos torna mais livres. Conheces Jesus… Leva-O aos outros com oração, palavra e acção. Se O guardas dentro de Ti, vais abafá-Lo. O compromisso é para todos os baptizados. Não apenas para os padres, freiras e seculares. Não te esqueças do que Jesus te pede: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho” (Mc 16, 15) e “E Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).
Maria João Garcia