13 outubro 2008

O engano das mensagens "piedosas"

Chegou às minhas mãos mais uma dessas mensagem com imagens, música e texto, igual a tantas outras que circulam por aí e constantemente invadem as nossas caixas de correio electrónico.

Fiquei a pensar no assunto e percebendo como estas mensagens são um logro, um engano em que às vezes aqueles que estejam menos preparados, ou mais frágeis emocionalmente, podem cair.

E são engano e logro em, pelo menos, dois sentidos:

Primeiro porque não levam a nada em termos práticos, a não ser criar falsas esperanças e ideias “perigosas” na cabeça das pessoas, tais como, que não é preciso trabalhar, esforçar-se, porque com o “poder da mente”, porque deus, (aqui de propósito em letra pequena), tudo faz e nós não temos que fazer nada a não ser pensar.

Segundo porque são um embuste “religioso”, ou seja, falando de Deus e levando a crer que têm a ver com a fé em Deus, (sobretudo a fé cristã, embora não sejam especificas nesse campo), acabam por ser apenas e só portadoras de uma mensagem de espiritualidades baseadas no homem e apenas no homem.

O primeiro engano é claro e porque muito que digam que experimentaram e deu resultado, não deveriam conseguir enganar ninguém, porque se assim fosse, não haveriam, por exemplo, as crises como a que agora estamos a viver.
Bastava pensar, meditar, e tudo passava!!!

Segundo porque falando de Deus, apontam para tudo menos para Deus, que nestas mensagens acaba por ser apenas o “fazedor” daquilo que nós queremos e desejamos.

Claro, que nelas existe uma parte em que se afirma que o que desejamos não pode ser contra outros, que tem que ser para o bem, etc., mas também era o que mais faltava que não dissesse!

Mas a verdade é que toda a mensagem é voltada para as capacidades do homem sozinho e Deus apenas ali aparece como modo de enganar as pessoas que têm fé, mas não têm uma formação cristã enraizada nas suas vidas.

O início desta mensagem que me enviaram, por exemplo, começa assim:

Você acredita no poder da mente?
No poder da vibração?
Da energia que emanamos e que nos conecta com todo o universo?
Com Deus, com os Anjos e Santos?
Com todas as pessoas, coisas e seres?

Se repararmos, Deus vem em quarto lugar, pois nos três primeiros aparece o homem e as suas possíveis capacidades.

Claro que o homem tem capacidades, Deus dotou-o com elas!
Mas estas capacidades atingem a sua plenitude na comunhão com Deus, e é nEle, por Ele e com Ele, que elas transportam o homem ao melhor de si próprio e o levam a vencer as dificuldades que a vida lhe apresenta.

E poderíamos analisar toda a mensagem e reparar que em tudo ela aponta para uma falsa felicidade, a felicidade em que tudo é conseguido apenas com o esforço da mente, e em que Deus é “peça” secundária pois está ali para fazer o que nós desejamos.

E Deus tem ali os tempos marcados! Fica nosso refém!

Tem que nos dar o que pedimos ao fim de 10 minutos, neste caso.
Noutros ao fim de x dias, ou depois de distribuirmos não sei quantas fotocópias!
Sim falo aqui também neste “fenómeno” das orações de intercessão dos Santos, (que são uma prática religiosa da tradição da Igreja em tudo saudável), mas que nada têm a ver com um x número de fotocópias que se distribuem pelas igrejas, como forma de obter o que se pede!
Como se Deus estivesse a contar o número de fotocópias!!!

E depois estas mensagens trazem sempre uma mensagem sub-reptícia de temor, que tem a ver com a possibilidade de, não fazendo o que se pede, poder acontecer algo de mau, ou então se não enviar a mesma para não sei quantas pessoas o pedido, o desejo não acontecer.

E pior ainda, pois se não reenviarmos a mensagem para outros tantos, não somos amigos de Deus, não somos bons cristãos!!!

É também de reparar nos símbolos utilizados, como pirâmides, esferas, e por aí fora, que apontam para “espiritualidades” que nada têm a ver com Deus e com a fé cristã e católica.

Bem, não será preciso alongar muito mais esta reflexão, para se chegar à conclusão de que Deus é tratado nestas mensagens como o “génio da lâmpada”!

A verdade é que estas mensagens são fantasias dos homens, vozes de falsos profetas, que apenas confundem as pessoas, e que mais tarde ou mais cedo as podem levar a um desespero pela não obtenção dos seus desejos e a uma revolta contra Deus, que afinal nada tem a ver com estas práticas dos homens.

É na nossa comunhão com Deus e com os outros, fazendo o trabalho a que somos chamados com empenho e dedicação, aceitando e ultrapassando as dificuldades e provações próprias das nossas vidas, preocupando-nos e ajudando os que mais precisam, orando e celebrando o nosso Deus de misericórdia, louvando-O, glorificando-O, dando-Lhe graças em tudo e pedindo-Lhe a Sua ajuda, sempre segundo a Sua vontade, que encontraremos a felicidade da vida eterna na Sua presença, que começa já aqui e agora, se quisermos ser parte viva do Reino de Deus.