Eu amo a Igreja profundamente, no e do mais intimo do meu ser, e sei, (e aqui sem qualquer dúvida), que se não fosse a Igreja, a minha conversão, (que nunca está acabada), nem sequer tinha começado.
Eu amo a Igreja profundamente e amo-A como Ela é, constituída por homens e mulheres pecadores, iguais a mim.
E porque assim Ela é constituída é que eu a amo total e absolutamente, porque Ela se aproxima de mim, pecador, fraco, e assim me sinto irmanado com os outros pecadores.
E porque Ela é constituída por pecadores, é que é “local” privilegiado de encontro com Jesus Cristo, porque o Senhor da misericórdia está sempre no meio dos pecadores.
Revejo a cena em que Jesus Cristo funda a Sua Igreja em Pedro e nos Apóstolos e vem ao meu coração a profunda certeza, alimentada pela Fé, de que esta é a Igreja de Jesus Cristo.
Na Sua omnisciência, Jesus Cristo sabia bem e em cada momento, tudo o que a Igreja ia fazer, ia passar e no entanto colocou-lhe o Seu selo, o selo do Espírito Santo.
Sabia que Ela havia de passar por fases de crescimento, de envelhecimento de rejuvenescimento, mas que seria sempre santa e imaculada, porque o pecado que toca os homens, não poderia tocar a Igreja.
Jesus Cristo, enquanto Homem, viveu 30 anos de crescimento, de preparação, de oração, para finalmente cumprir na totalidade a vontade do Pai, entregando-Se por nós e alcançando-nos a vida eterna pela Sua vitória sobre a morte.
30 anos de Jesus Cristo como Homem, a quantos milénios corresponderá na vida da Igreja?
Vemos pela sua história como a Igreja se renovou, se construiu, se corrigiu ao longo destes 2000 anos.
Aquilo que eram as criticas no meu tempo de infância, quando as missas eram em latim, já não têm sentido agora, que as celebramos em português.
A Bíblia, a Palavra de Deus, durante tantos anos afastada da vida dos cristãos é hoje anunciada, é hoje aconselhada, é hoje obrigatória na vida do dia a dia do cristão.
Aquele que era o Papa da transição, segundo dizem os “especialistas”, foi o escolhido pelo Espírito Santo, para encetar a mudança, para renovar a Igreja, para dar ao povo cristão a possibilidade de poder entender na sua simplicidade coisas tão importantes como as orações da celebração maior, a Eucaristia.
Costumamos dizer que o tempo de Deus não é o nosso tempo, no sentido “quantificado” logicamente.
Então, sendo a Igreja de Jesus Cristo o Seu próprio Corpo, porque há-de Ela andar segundo a vontade dos homens e não a vontade de Deus?
Se o Espírito Santo interveio na Igreja tantas vezes, vencendo a vontade dos homens, porque não acreditamos agora que Ele continua a intervir e que o Seu tempo, não é o nosso tempo?
Mas o Espírito Santo intervém servindo-se dos homens.
Ora se os homens não estão em Igreja, na Igreja, como há-de Ele intervir?
E intervém verdadeiramente em cada um, que comungando em Igreja se vai dando, vai falando, vai criticando e mesmo que, por muitas vezes pareça que essa entrega, essas palavras, essas críticas não são ouvidas, quando elas são verdadeiras, quando elas são construção, nunca deixam de semear semente, que dará fruto quando for o seu tempo.
E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Lc 24, 30-32
Ao partir do pão, na fracção do pão, reconheceram-no!
Que momento mais perfeito, que celebração mais celebrada, que oração mais profunda existe para O reconhecermos, do que a Eucaristia!
E onde, e como, e quando acontece e se celebra a Eucaristia, se não em Igreja, na Igreja.
Como posso eu querer reconhecê-Lo, quando tendo conhecimento da Igreja, tendo estado em Igreja, me coloco fora dela?
Diz-nos a Doutrina que a Consagração acontece sempre que um sacerdote ordenado no pleno uso e direito do seu ministério a celebra, independentemente do próprio acreditar ou não naquele Mistério, naquele Sacramento da presença viva de Jesus Cristo no meio de nós.
Ou seja, Cristo está sempre presente na Igreja, independentemente dos homens que a constituem, e assiste-lhes sempre independentemente dos seus pecados, dos seus erros, e não deixa de os perdoar, iluminar e conduzir pelo Espírito Santo, como tem feito ao longo destes 2000 anos e continuará a fazer, pois essa é a Sua promessa.
A Igreja é constituída por homens, mas vai muito para além dos homens!
Como posso eu decidir afastar-me da Igreja, se é em Igreja que eu sou verdadeiro discípulo de Cristo?
Não será um pecado contra o Espírito Santo, não acreditar que Ele assiste a Igreja em todos os momentos?
E se eu acredito que o Espírito Santo assiste a Igreja em todos os momentos, como posso eu não acreditar que a Igreja é una, santa, católica e apostólica?
Como posso eu rezar o Credo, fora da Igreja?
E se os homens, ou melhor, alguns homens da Igreja não se deixam conduzir pelo Espírito Santo, isso significa que o Espírito Santo deixa/deixou de assistir a Igreja?
Se assim fosse, há muito que a Igreja tinha acabado!
Mas Ela não acabou, nem acabará porque o Espírito Santo a assiste independentemente dos homens que a constituem.
Eu amo a Igreja, e é em Igreja e na Igreja que eu reconheço Jesus Cristo na celebração dos Sacramentos, presença viva de Cristo, nas irmãs e irmãos que a constituem, presença viva de Cristo eles também, e nas irmãs e irmãos que mesmo afastados são também presença de Cristo vivo para mim, porque é assim que a Igreja me ensina.
E se a prática da Igreja não reflecte sempre isto mesmo, é porque eu e aqueles que a constituem somos fracos, somos pecadores, e muitas vezes nos afastamos do caminho e não deixamos que o Espírito Santo faça em nós a vontade de Deus.
Mas a Igreja permanece viva, una, santa, católica e apostólica, vencendo o pecado porque: «as portas do abismo nada poderão contra ela.» Mt 16, 18
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