26 novembro 2008

A Igreja Católica 2


Eu amo a Igreja profundamente, no e do mais intimo do meu ser, e sei, (e aqui sem qualquer dúvida), que se não fosse a Igreja, a minha conversão, (que nunca está acabada), nem sequer tinha começado.

Eu amo a Igreja profundamente e amo-A como Ela é, constituída por homens e mulheres pecadores, iguais a mim.
E porque assim Ela é constituída é que eu a amo total e absolutamente, porque Ela se aproxima de mim, pecador, fraco, e assim me sinto irmanado com os outros pecadores.

E porque Ela é constituída por pecadores, é que é “local” privilegiado de encontro com Jesus Cristo, porque o Senhor da misericórdia está sempre no meio dos pecadores.

Revejo a cena em que Jesus Cristo funda a Sua Igreja em Pedro e nos Apóstolos e vem ao meu coração a profunda certeza, alimentada pela Fé, de que esta é a Igreja de Jesus Cristo.

Na Sua omnisciência, Jesus Cristo sabia bem e em cada momento, tudo o que a Igreja ia fazer, ia passar e no entanto colocou-lhe o Seu selo, o selo do Espírito Santo.

Sabia que Ela havia de passar por fases de crescimento, de envelhecimento de rejuvenescimento, mas que seria sempre santa e imaculada, porque o pecado que toca os homens, não poderia tocar a Igreja.

Jesus Cristo, enquanto Homem, viveu 30 anos de crescimento, de preparação, de oração, para finalmente cumprir na totalidade a vontade do Pai, entregando-Se por nós e alcançando-nos a vida eterna pela Sua vitória sobre a morte.

30 anos de Jesus Cristo como Homem, a quantos milénios corresponderá na vida da Igreja?

Vemos pela sua história como a Igreja se renovou, se construiu, se corrigiu ao longo destes 2000 anos.

Aquilo que eram as criticas no meu tempo de infância, quando as missas eram em latim, já não têm sentido agora, que as celebramos em português.
A Bíblia, a Palavra de Deus, durante tantos anos afastada da vida dos cristãos é hoje anunciada, é hoje aconselhada, é hoje obrigatória na vida do dia a dia do cristão.

Aquele que era o Papa da transição, segundo dizem os “especialistas”, foi o escolhido pelo Espírito Santo, para encetar a mudança, para renovar a Igreja, para dar ao povo cristão a possibilidade de poder entender na sua simplicidade coisas tão importantes como as orações da celebração maior, a Eucaristia.

Costumamos dizer que o tempo de Deus não é o nosso tempo, no sentido “quantificado” logicamente.
Então, sendo a Igreja de Jesus Cristo o Seu próprio Corpo, porque há-de Ela andar segundo a vontade dos homens e não a vontade de Deus?
Se o Espírito Santo interveio na Igreja tantas vezes, vencendo a vontade dos homens, porque não acreditamos agora que Ele continua a intervir e que o Seu tempo, não é o nosso tempo?

Mas o Espírito Santo intervém servindo-se dos homens.
Ora se os homens não estão em Igreja, na Igreja, como há-de Ele intervir?
E intervém verdadeiramente em cada um, que comungando em Igreja se vai dando, vai falando, vai criticando e mesmo que, por muitas vezes pareça que essa entrega, essas palavras, essas críticas não são ouvidas, quando elas são verdadeiras, quando elas são construção, nunca deixam de semear semente, que dará fruto quando for o seu tempo.

E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Lc 24, 30-32

Ao partir do pão, na fracção do pão, reconheceram-no!
Que momento mais perfeito, que celebração mais celebrada, que oração mais profunda existe para O reconhecermos, do que a Eucaristia!

E onde, e como, e quando acontece e se celebra a Eucaristia, se não em Igreja, na Igreja.

Como posso eu querer reconhecê-Lo, quando tendo conhecimento da Igreja, tendo estado em Igreja, me coloco fora dela?

Diz-nos a Doutrina que a Consagração acontece sempre que um sacerdote ordenado no pleno uso e direito do seu ministério a celebra, independentemente do próprio acreditar ou não naquele Mistério, naquele Sacramento da presença viva de Jesus Cristo no meio de nós.

Ou seja, Cristo está sempre presente na Igreja, independentemente dos homens que a constituem, e assiste-lhes sempre independentemente dos seus pecados, dos seus erros, e não deixa de os perdoar, iluminar e conduzir pelo Espírito Santo, como tem feito ao longo destes 2000 anos e continuará a fazer, pois essa é a Sua promessa.

A Igreja é constituída por homens, mas vai muito para além dos homens!
Como posso eu decidir afastar-me da Igreja, se é em Igreja que eu sou verdadeiro discípulo de Cristo?
Não será um pecado contra o Espírito Santo, não acreditar que Ele assiste a Igreja em todos os momentos?
E se eu acredito que o Espírito Santo assiste a Igreja em todos os momentos, como posso eu não acreditar que a Igreja é una, santa, católica e apostólica?
Como posso eu rezar o Credo, fora da Igreja?
E se os homens, ou melhor, alguns homens da Igreja não se deixam conduzir pelo Espírito Santo, isso significa que o Espírito Santo deixa/deixou de assistir a Igreja?

Se assim fosse, há muito que a Igreja tinha acabado!
Mas Ela não acabou, nem acabará porque o Espírito Santo a assiste independentemente dos homens que a constituem.

Eu amo a Igreja, e é em Igreja e na Igreja que eu reconheço Jesus Cristo na celebração dos Sacramentos, presença viva de Cristo, nas irmãs e irmãos que a constituem, presença viva de Cristo eles também, e nas irmãs e irmãos que mesmo afastados são também presença de Cristo vivo para mim, porque é assim que a Igreja me ensina.

E se a prática da Igreja não reflecte sempre isto mesmo, é porque eu e aqueles que a constituem somos fracos, somos pecadores, e muitas vezes nos afastamos do caminho e não deixamos que o Espírito Santo faça em nós a vontade de Deus.

Mas a Igreja permanece viva, una, santa, católica e apostólica, vencendo o pecado porque: «as portas do abismo nada poderão contra ela.» Mt 16, 18
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4 comentários:

Anónimo disse...

" Olá Joaquim,

Acabei de visitar o seu blog. Que alegria ver quantos irmãos estão investindo na internet para a evangelização. Bendito seja Deus e parabéns pela iniciativa!

Quero me apresentar, sou Fernanda Cavanha Nobre. Faço parte da equipe de divulgação da rádio Beatitudes, vc já conhece (www.radiobeatitudes.com)?

A webradio Beatitudes é uma radio 24 hs de evangelização no ar, além de temos uma vasta grade de programação AO VIVO. Gostaria de convidar você para conhecer, vale a pena :)

E olha que legal: vc pode incrementar seu blog colocando o player da rádio pra tocar nele... legal né? to passando pra vc o link para vc ver como faz, se for de seu interesse. http://www.radiobeatitudes.com/beatitudesnoblog.htm

É isso aí... Deus abençoe esta sua missão de evangelizar na internet, viu????
Obrigada pelos seus textos e artigos...
Fraternalmente,

Fernanda Cavanha Nobre
COM DEUS ATÉ O FIM MESMO SEM ENTENDER"

Je Vois la Vie en Vert disse...

Pois é Joaquim, face às críticas dos não-crentes, tento sempre fazer entender que somos todos humanos e por isso, erramos; e pratico a tolerância e respeito dos outros, mantendo a minha fé porque não me envergonharei nunca de dizer que sou cristã. Continuo a seguir o pedido de Jesus : "Amai vós uns aos outros" e às vezes consigo assim acalmar a raiva de certas pessoas.
Obrigada pela tua visita ao meu cantinho de esperança.
Desejo-te um Santo Natal !
Abraços verdinhos

Canela disse...

Venho retribuir a sua visita.

Fiquei surpreendida... RCC! UAU!
3xUAU

A forma como me foi dado a conhecer, foi... precisamente como a parábola do bom samaritano.

"fui levantada pelo BOM Samaritano (JESUS), e fui entregue aos cuidados do estalajadeiro"

O estalajadeiro, deu-me a conhecer esta forma tão radical e tão bonita de VIVER CRISTO!

É uma história tão bonita, que as lágrimas vêm aos olhos de tanta alegria.

Beijinho em Cristo e Maria

"Não será um pecado contra o Espírito Santo, não acreditar que Ele assiste a Igreja em todos os momentos?"

Não acho que seja pecado. Apenas grande desconhecimento, e, medo. Não se ama, nem se crê naquilo que não experienciámos nas nossa vidas.

A 1ª vez que ouvi orar em linguas; assustei-me a sério. Valeu-me estar dentro de uma Igreja e saber que era um Pe. que estava a orar.

Agarrei-me ao banco e esbugalhei os olhos, assustada pensei: "O Pe. passou-se."
Com a continuação, e, porque o Espirito Santo é o Paráclito, o Consolador... eu fui-me acalmando.

Para 1ª visita acho que me excedi!
Desculpe.

Ser sempre mais! disse...

Olá Joaquim,

Que bela meditação/reflexão sobre Igreja.
Revi-me inevitavelmente. Viver em Igreja é isso mesmo, é assumir o nosso lugra n´ela, trabalhar, comprometer-se, mudar, aceitar...
Ser igreja implica ser Cristão a tempo inteiro, no meio do mundo. Não concebo a ideia de quem reivindica mudança, falta de dinamismo,e inumeras outras coisas estando sempre do lado de fora.
Acho que me entende... trabalho muito com jovens, porque faço parte de um movimento juvenil.
E a eles muitas vezes reivindicativos e radicais na sua visão de igreja digo:
"A Igreja só será jovem quando o jovem for igreja."
Temos que ser fermento na massa!
Gostei muito de pasar por cá, vou voltar.
E já agora, sim vamos "arrumar" a casa para o receber e que Ele fique a viver nela! Abraço, Ida