20 janeiro 2009

Dia de Louvor - Ensinamento da manhã - Segunda Parte

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Para vivermos esta comunhão com Deus, que nos dá a vida em abundância, a alegria completa, precisamos de estar reconciliados com Deus, connosco próprios e com os outros.
E o passo imprescindível que temos de dar para essa reconciliação é o nosso exame de consciência e o Sacramento da Confissão.
Hoje em dia ouvimos muitos dizerem que se confessam a Deus, e que portanto prescindem da confissão com um sacerdote.
Mas, minhas irmãs, meus irmãos, o Sacramento da Confissão foi instituído por Jesus Cristo conforme podemos ler em Jo 20, 22-23
Deus quis instituir este Sacramento assim, servindo-se dos homens, porque Ele mesmo, na pessoa de Jesus Cristo, se quis encontrar com os homens, num contacto directo, através dos sinais e linguagens da condição humana, quis viver como nós e passar pelas mesmas condições que nós, excepto o pecado.
Como nos diz o Arcebispo italiano Bruno Forte, num pequeno livro sobre a Confissão:
«Como Ele saiu de si mesmo por nosso amor e veio “tocar-nos” com a sua carne, assim nós somos chamados a sair de nós mesmos por seu amor e ir com humildade e fé ter com quem pode dar-nos o perdão em seu nome mediante a palavra e o gesto.
Somente a absolvição dos pecados, que o sacerdote nos dá no Sacramento, pode comunicar-nos a certeza interior de sermos verdadeiramente perdoados e acolhidos pelo Pai que está nos Céus, porque Cristo confiou ao ministério da Igreja o poder de ligar e desligar, de excluir e de admitir na comunidade da aliança. (cf Mt 18,17)»
Com efeito, como podemos nós aferir se determinado comportamento é pecado ou não, se verdadeiramente na nossa consciência temos dúvidas?
Então, só na Confissão perante o sacerdote que nos ouve e connosco fala, o mesmo sacerdote nos pode ajudar a percebermos a dimensão total do nosso pecado, a necessidade do nosso arrependimento e nos conduzir, não só ao perdão de Deus, mas à consciência do perdão a nós mesmos e aos outros.
Muito mais ainda isto é verdade se nos lembrarmos que a Igreja nos ensina que o sacerdote na Confissão é pessoa de Cristo, ou seja, nos estamos a confessar a Cristo.
E minhas irmãs, meus irmãos, eu não sou sacerdote como muito bem sabeis, mas acreditem que os sacerdotes não querem saber dos nossos pecados, não fazem julgamento para si próprios de nós por causa dos nossos pecados, apenas agem como pessoa de Cristo para em Seu nome, nos ouvirem, aconselharem e perdoarem.
Um dia na Catequese, um jovem dizia-me que não se queria confessar por que depois o Prior ficava a saber o que ele fazia e depois quando olhasse para ele parecia que o padre o estaria a julgar.
Eu respondi-lhe o que ainda agora vos disse, que ao padre não lhe interessam os pecados de cada um e nem sequer julga as pessoas pelos pecados que confessam, mas ainda disse mais, pois disse-lhe que cá para mim, eu achava que Deus concedia aos padres a graça de se esquecerem dos pecados dos que a eles se confessam, ou seja, até se podiam lembrar dos pecados confessados, mas provavelmente já não sabiam quem é que tinha confessado este ou aquele pecado.
A verdade é que o segredo da Confissão é o segredo mais bem guardado da história da humanidade e que eu saiba nunca foi violado.
Já houve padres e até há poucos anos um Bispo em França que foram presos, mas não revelaram esse segredo.
Quando o Senhor ao fim de tanto tempo do meu afastamento dEle começou a tocar o meu coração e o da Catarina, minha mulher, passados uns tempos, talvez um ano ou dois, um sacerdote Franciscano com quem falávamos muito, perguntou-nos porque é que não nos confessávamos.
Perante as dúvidas ainda das nossas vidas, não nos tinha até ao momento ocorrido fortemente essa decisão, mas confrontados com o que ele nos disse, decidimos então confessarmo-nos a ele.
Um dia lá fomos ao Convento de Leiria para então nos confessarmos.
Há mais de 20 anos que não me confessava. Não sabia bem como o fazer e já nem sequer me lembrava da última vez que me tinha confessado.
Vinham à minha memória, ao meu coração pecados da minha infância, da minha adolescência que eu não me lembrava se já alguma vez tinha confessado ou não.
Assim decidi que devia confessar tudo o que viesse ao meu coração, de tudo o que me lembrasse da minha vida até ao momento vivida.
Não sei quanto tempo demorou a Confissão e isso também não interessa, mas ao longo dela o Senhor foi-me lembrando coisas da minha vida que me marcavam, que me envergonhavam a mim próprio, mesmo sem o conhecimento dos outros, lembro-me que as lágrimas me corriam pela cara e lembro-me sobretudo da doçura daquele sacerdote, ou seja de Jesus Cristo, que abria os braços e me acolhia no seu amor perdoando-me das minhas fraquezas.
É um momento que não esqueço na minha vida e se agora falo dele é porque é importante para aquilo que há um pouco vos dizia, sobre o facto de por vezes nos confessarmos, alcançarmos o perdão de Deus, mas não nos perdoarmos a nós próprios, ou aos outros.
Com efeito havia coisas na minha vida tão graves, que mesmo após a confissão, não só eu ainda duvidava de que Deus me perdoasse, mas também porque a vergonha de certas coisas continuava a pesar na minha vida.
É lógico que a dúvida sobre se Deus me perdoava ou não, era causada porque a minha caminhada de fé só tinha começado há pouco tempo, (o que são dois anos de caminho para 25 anos de afastamento), e porque também ainda não tinha tido aquele encontro pessoal com Deus que muda as nossas vidas.
Já o perdão a mim próprio era mais complicado e eu fui percebendo ao longo dos anos que essa falta em mim, não me deixava crescer na fé, no meu relacionamento com os outros, e interferia na minha maneira de viver e proceder.
Um dia numa Adoração ao Santíssimo pedi ao Senhor que me desse essa certeza do Seu perdão, porque precisava dela para a minha caminhada, e Ele concedeu-me essa graça de eu perceber, de eu viver a certeza de que o seu perdão é muito maior que o nosso pecado.
Então percebi que se Deus me perdoa, como posso eu não me perdoar a mim próprio.
Se Deus me purifica, como posso eu não me deixar purificar.
Se Deus me liberta do meu pecado, como posso eu ficar agarrado à lembrança do pecado.
Perante essa certeza decidi confessar novamente esses pecados que ainda me atormentavam, não porque não acreditasse que Deus já mos tinha perdoado, mas para que confrontando-me novamente com eles na confissão, me libertasse deles definitivamente.
E claro, a graça aconteceu, porque a Confissão é também um Sacramento de Cura e Libertação e a partir daí a minha vida mudou e eu pude viver a minha vida com Deus, comigo próprio e com os outros livremente e sem as cadeias da vergonha, da mágoa ou do ressentimento.
Mas para que a Confissão seja recebida em toda a sua plenitude, com toda a graça que o Sacramento derrama nas nossas vidas, é preciso que seja bem feita.
A Confissão não pode ser apenas um relatório de pecados, um desfiar de fraquezas, um contar de problemas.
É preciso que assumamos as nossas faltas, (não foi por causa dos outros como tantas vezes nos queremos fazer crer), que nos confrontemos com as nossas fraquezas, que tenhamos a consciência do arrependimento e o propósito de emenda, ou seja o compromisso de não voltar a cometer esses pecados, mesmo que infelizmente venhamos a cair neles novamente.
Abrirmos os nossos corações ao perdão de Deus e percebermos que se Ele nos perdoa não podemos nós continuar agarrados à lembrança desse pecados.
Assim, ao recebermos a absolvição de Deus, também o nosso coração se abre à reconciliação connosco próprios e com os outros, e assim somos libertos do peso da vergonha, da lembrança que nos magoa, e em paz connosco, ficamos também em paz com os outros e vivemos mais um pouco da abundância de vida e da alegria que Jesus Cristo nos veio trazer.
Também por essa Confissão alcançamos a graça da força necessária para pedirmos perdão àqueles que nós magoámos e perdoarmos aqueles que nos magoaram.
Assim e ainda, aqueles problemas de que falámos há pouco, de não ser fácil enfrentar aqueles contra quem pecámos, ou aqueles que contra nós pecaram, são curados das nossas vidas e podemos viver em paz com eles e por isso mesmo também, os problemas de saúde que nos atormentavam como vimos anteriormente, acabam por desaparecer das nossas vidas e mais uma vez, repito, passamos a viver a vida verdadeira que Jesus Cristo nos trouxe e que é a vida em abundância na alegria de Deus.
Hoje, minhas irmãs e meus irmãos, temos de tomar, de viver este compromisso sério de nos aproximarmos da Confissão na primeira ocasião que tivermos.
Mas tomá-lo conscientemente e não debaixo de uma emoção do momento.
Percebermos que a Confissão a fazer tem de ser tão consciente que não seja apenas relatar pecados, mas assumi-los como culpa nossa, enfrentá-los como fraquezas nossas, e sobretudo acreditarmos firmemente que o amor e o perdão de Deus são muito maiores que os nossos pecados.
Porque assim, acreditando no perdão de Deus, que nos purifica pela Confissão, não podemos nós deixar de nos perdoarmos a nós e aos outros, porque se assim não fizermos estaremos como que a manchar o perdão que Deus nos concede.
E não tenhamos medo ou vergonha de confessarmos pecados já confessados, se por alguma razão eles ainda nos envergonham e magoam, dizendo ao sacerdote isso mesmo, para que ele nos aconselhe e de coração aberto alcancemos todas as graças que o Sacramento da Confissão nos concede, desde o perdão de Deus, até à libertação e à cura dos problemas psíquicos e até físicos.
Peço-vos agora que fecheis os olhos e baixeis a cabeça, numa serenidade total que é garantida pela presença de Jesus Cristo no meio dos pecadores que somos nós.
Peço-vos ainda que em silêncio escuteis a oração que vou fazer pausadamente e que à medida que a fores escutando a rezeis com o coração, sem palavras saídas da boca, mas tomando-a como vossa e assumindo verdadeiramente o compromisso que nela está.

Oração
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Senhor Jesus Cristo, que estás no meio de nós, porque somos pecadores, vem ao meu encontro e toca o meu coração e a minha mente.
Mostra-me Senhor Jesus, tudo o que na minha vida não é do teu agrado e tudo o que me impede de viver a vida em abundância e alegria que Tu mesmo nos vieste trazer.
Concede-me a graça de acreditar firmemente que o teu perdão é infinitamente maior que o meu pecado, para que acolhendo o teu perdão na minha vida, também eu me perdoe a mim próprio das minhas fraquezas e perdoe as minhas irmãs e os meus irmãos que me ofenderam e peça perdão aos que eu ofendi.
Peço-te também, Senhor Jesus, que pela graça da Confissão me libertes de todo o pecado, da opressão do pecado, de todas as doenças psíquicas e físicas que o pecado trouxe à minha vida.
Agora Senhor Jesus, que estás aqui no meio de nós, eu comprometo-me de todo o coração, com toda a minha vida a, no mais curto espaço de tempo, procurar o Sacramento da Confissão e de coração aberto, reconhecendo-me pecador e acreditando no teu infinito perdão, confessar-me de todos os meus pecados, presentes e mesmo os passados que ainda não consegui perdoar a mim próprio ou aos outros.
Na tua misericórdia firmemente acredito e desde já agradeço-Te pela libertação que vais operar na minha vida, e pela paz, pela alegria e pela vida em abundância que já neste momento me estás a dar.
Louvado sejas Senhor, pelo teu infinito amor.
Amen.
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